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Após queda de Mugabe, ex-vice-presidente assume o poder no Zimbábue

24.nov.2017 - Emmerson Mnangagwa faz juramento como presidente do Zimbábue, em Harare - Mike Hutchings/ Reuters
24.nov.2017 - Emmerson Mnangagwa faz juramento como presidente do Zimbábue, em Harare Imagem: Mike Hutchings/ Reuters

Do UOL, em São Paulo

24/11/2017 08h14Atualizada em 24/11/2017 09h53

O ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa assumiu nesta sexta-feira (24) o cargo de presidente provisório do Zimbábue, em substituição a Robert Mugabe, depois da renúncia do líder na terça-feira passada, e após a tomada do controle do país por parte dos militares.

Mnangagwa prestou homenagem ao "pai da nação", Robert Mugabe, a quem sucedeu oficialmente três dias depois de sua renúncia em função de uma intervenção militar. "Aceitamos e reconhecemos sua imensa contribuição para construção de nossa nação", disse Mnangagwa em um discurso pronunciado em Harare, depois de sua posse como chefe de Estado.

O novo presidente também prometeu indenizar os fazendeiros brancos que foram violentamente expulsos de suas propriedades por Robert Mugabe no início dos anos 2000. "Meu governo está comprometido em compensar esses fazendeiros cujas propriedades foram confiscadas", disse em seu primeiro discurso como chefe de Estado.

Disse ainda que essas reformas são inevitáveis. Mnangagwa prometeu que vai reduzir a pobreza e lutar contra a corrupção em seu novo governo.

A posse aconteceu em um grande ato de ambiente festivo em um estádio da capital do país, Harare.

Mnangagwa prometeu ao presidente que deixa o poder Robert Mugabe e a sua família "segurança máxima" antes de sua posse, segundo o jornal estatal The Herald.

"Mnangagwa conversou ontem (quinta-feira) com o presidente que deixa o poder, o camarada Robert Mugabe, e assegurou a ele e a sua família segurança máxima e bem-estar", afirma o jornal.

O Herald não revelou mais detalhes sobre o futuro de Mugabe, que renunciou na terça-feira depois passar 37 anos no poder.

Mugabe, de 93 anos, renunciou quase uma semana depois do exército do Zimbábue ter assumido o controle do país, após a destituição do até então vice-presidente Mnangagwa.

Mnangagwa, 75 anos, tomou posse em um estádio da capital, Harare, onde dezenas de milhares de pessoas estavam reunidas desde o início da manhã.

De acordo com o Herald, Mugabe informou ao sucessor que não deve comparecer à cerimônia porque "precisa de tempo para descansar".

Mapa, Zimbábue, Harare - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Mnangagwa herda um país arruinado, no qual a população espera por reformas de modo impaciente.

Destituído em 6 de novembro, Mnangagwa pôs fim ao reinado de Mugabe, que comandou o país com mão de ferro por 37 anos.

Sua nomeação é uma revanche para este cacique do regime, apelidado de "crocodilo" por seu caráter inflexível.

Mnangagwa, que ambicionava o poder, foi destituído por Mugabe, de 93 anos, porque este queria favorecer as ambições políticas de sua mulher, Grace.

Mas desta vez, o presidente veterano calculou mal as consequências e a expulsão de Mnangagwa acabou levando à sua própria queda.

Sob a pressão do exército - que tomou o controle do país na madrugada de 15 de novembro - e das manifestações nas ruas, Mugabe se resignou ao que nunca pensou que teria que fazer um dia: renunciar.

Sua demissão foi anunciada na terça-feira, durante uma sessão extraordinária do Parlamento e provocou uma explosão de alegria nas ruas de uma população exausta após anos de crise econômica e com um regime autoritário.

"Com ele no poder, a vida era um desafio. Você ia para a escola, conseguia um diploma, mas no fim acabava vendendo créditos para telefone nas ruas", disse à agência de notícias AFP Danny Time, que estudou para ser eletricista.

O primeiro desafio do sucessor de Mugabe será colocar a economia de pé, em um país onde 90% da população está sem emprego.

"Queremos relançar nossa economia, queremos empregos", prometeu Mnangagwa em seu discurso. "Juro ser vosso servidor".

"Quase chorei ao ouvir nosso novo presidente. Voltei a ter esperança", disse McDonald Mararamire, um desempregado de 24 anos. "Esperemos que as promessas se cumpram".

mugabe - Jekesai Njikizana/AFP - Jekesai Njikizana/AFP
Imagem: Jekesai Njikizana/AFP

'Ditador'

O ex-número dois do regime foi nomeado no domingo presidente do partido no poder, o Zanu-PF, e candidato às presidenciais de 2018, em substituição de Mugabe.

Mas a mudança de presidente não garante "mais democracia", afirma o analista Rinaldo Depagne, do International Crisis Group (ICG).

E a população sabe disso. "Com elementos do Zanu-PF ainda no poder, tenho dúvidas de que haja avanços", disse Munyaradzi Chihota, empresário de 40 anos. "Não queremos que troquem um ditador por outro", afirmou Oscar Muponda, outro morador de Harare, a capital.

Emmerson Mnangagwa foi um homem-chave na estrutura de segurança do Estado e estava no comando nas sucessivas ondas de repressão das últimas décadas.

A Anistia Internacional já pediu ao novo presidente que evite os "abusos do passado", lembrando que nos 37 anos de Presidência de Mugabe, "dezenas de milhares de pessoas foram torturadas, desapareceram ou foram assassinadas".

"O próximo governo terá que se comprometer rapidamente em reformar o exército e a Polícia, ambos instrumentos de repressão de Mugabe", informou a ONG Human Rights Watch (HRW).

Quem é quem na disputa pelo poder no Zimbábue?

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