Em vídeo, Fujimori se diz surpreso por indulto e pede perdão aos peruanos

Do UOL, em São Paulo

O ex-presidente do Peru Alberto Fujimori divulgou um vídeo após receber o indulto do atual presidente Pedro Pablo Kuczynski (PPK), nesta terça-feira (26), e se disse ter sido surpreendido pelo indulto recebido. Ele também pediu perdão por ter "decepcionado" os peruanos durante o seu governo.

Segundo Fujimori, a notícia do indulto o surpreendeu e provocou "um forte impacto em que se misturaram sentimentos de extrema alegria e ao mesmo tempo de pesares".

"Muito obrigado, presidente Kuczynski, por este gesto magnânimo que me reconfortou. Desde este lugar me uni às esperanças de todos que lutam pela grandeza do país. Porque para os peruanos, o Peru está em primeiro", acrescentou.

Kuczynski concedeu o indulto a Fujimori, que governou o país de 1990 a 2000, e a outros sete presos neste domingo, alegando razões humanitárias. Segundo a Junta Médica Penitenciária que recomendou o indulto, Fujimori, de 79 anos, sofre de "doença progressiva, degenerativa e incurável", cujas condições se agravam na prisão.

"Sou consciente que os resultados do meu governo foram bem recebidos por uma parte. Mas, por outro lado, reconheço que também decepcionei outros compatriotas. A eles eu peço perdão de todo o coração", diz Fujimori em seu leito em uma unidade de cuidados intensivos na clínica Centenario, em Pueblo Libre, no Peru.

Fujimori, cujo governo é classificado por críticos de autoritário, foi condenado em 2009 pelo assassinato de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), executados pelo grupo militar secreto Colina, e pelos sequestros de um jornalista e um empresário em 1992.

No último sábado ele foi transferido do presídio até a clínica devido a uma queda da pressão arterial e arritmia cardíaca.

Presidente peruano enfrenta nova crise

Crise política

Com o indulto, Kuczynski colocou-se novamente no centro de uma crise política dias depois de se livrar da destituição. O perdão a Fujimori foi apontado por críticos como resultado de um pacto político entre o presidente e o fujimorismo para que o governante, acusado de corrupção no caso Odebrecht, pudesse continuar no poder.

Kuczynski salvou seu cargo na votação no Congresso graças à abstenção de dez fujimoristas liderados por Kenji Fujimori, filho mais novo do ex-governante, que anteriormente tinha pedido de maneira aberta ao presidente para indultar seu pai.

Nesta segunda-feira, manifestantes também exigiram a deposição do presidente, que, na campanha eleitoral do ano passado, havia prometido que não libertaria Fujimori. "Fora PPK", gritavam os que participavam do protesto em Lima, usando as iniciais do governante.

O presidente defendeu o indulto a Fujimori num pronunciamento televisionado. Ele afirmou que indultar Fujimori foi a decisão mais difícil da sua vida, mas que assim porque o ex-presidente já tinha cumprido perto da metade da sua pena e a sua saúde tinha se deteriorado.

"Trata-se da saúde e das possibilidades de vida de um ex-presidente do Peru que, tendo cometido excessos e erros graves, foi sentenciado e já cumpriu 12 anos de condenação", argumentou Kuczynski. "Estou convencido de que, quem se sente democrata, não deve permitir que Alberto Fujimori morra na prisão. A justiça não é vingança."

Kuczynski, que foi chamado de traidor por setores da sociedade que o apoiaram nas eleições presidenciais para evitar que chegasse à Presidência Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, e que seu pai fosse indultado, afirmou que sua função é ser o presidente de todos os peruanos e não só dos que votaram nele. Ele reiterou que o indulto se baseia "em razões humanitárias".

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