Míssil norte-coreano ainda não atinge os EUA, mas está perto, diz Trump

Do UOL, em São Paulo

  • REUTERS/Kevin Lamarque

    17.jan.2018 - Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca durante entrevista para a agência Reuters

    17.jan.2018 - Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca durante entrevista para a agência Reuters

Donald Trump recebeu na última quarta-feira (17) a agência Reuters para uma entrevista no Salão Oval da Casa Branca. A conversa durou 53 minutos e revelou um pouco o que pensa o presidente americano sobre o conflito e também parte de sua estratégia para confrontar o regime de Kim Jong-un.

Trump contestou a versão da Coreia do Norte de que o país já consegue atingir o território dos Estados Unidos com seu arsenal.

Especialistas apontam que o míssil balístico intercontinental testado pelos norte-coreanos em 2017 tem capacidade de voar até a capital Washington - há dúvidas, no entanto, se ele tem tecnologia suficiente para suportar a reentrada na atmosfera carregando uma ogiva nuclear.

"Não acho [que eles tenham capacidade]. Eles ainda não chegaram lá, mas estão perto, cada dia mais perto. Acho que esse é um problema que deveria ter sido cuidado nos últimos 25 anos, antes que eles [Coreia do Norte] chegassem tão perto ou tivessem essa capacidade", afirmou Trump.

Segundo ele, o regime norte-coreano 'tirou vantagem' dos presidentes americanos nesse período - no caso, os democratas Bill Clinton (1993-2001) e Barack Obama (2009-2017) e o republicano George W. Bush (2001-2009).

Por esse motivo, Trump afirmou que uma conversa dele com Kim Jong-un provavelmente "não resolveria" o conflito. "Bom, eu me sentaria [para negociar com Kim]. Mas não acho que conversas levariam a algo significativo. Eles conversaram nos últimos 25 anos e tiraram vantagem dos nossos presidentes anteriores."

Quando questionado sobre ter tido ou não alguma comunicação com Kim Jong-un, Trump preferiu não responder. "Mas vamos ver como isso se desenrola, ok? E espero que possa ser resolvido de uma maneira pacífica, mas é bem possível que isso não aconteça assim."

Trump também não quis comentar sobre a possibilidade de realizar um ataque preventivo contra a Coreia do Norte, o que significaria atacar o país antes de uma eventual ofensiva do regime de Kim. "Não vou falar sobre as opções que eu considero. Não acho que deveríamos discutir nossas opções com a imprensa", disse.

Ele ainda evitou detalhar qual foi sua reação aos testes da Coreia do Norte com seu míssil balístico intercontinental. "Estamos em um jogo duro de pôquer, e aí você não gostaria de revelar o que você tem na sua mão", exemplificou.

Trump, no entanto, confirmou que os EUA já encomendaram uma expansão em seu sistema de defesa de mísseis. "Gostaria muito de gastar dinheiro em outras coisas, mas também sou uma pessoa de muito senso", afirmou o presidente, justificando sua escolha por direcionar a verba americana no sistema de defesa.

Entenda o programa de mísseis norte-coreano

Os papéis de Rússia e China na crise

Trump exaltou o presidente chinês Xi Jinping e disse que o país tem ajudado bastante na questão norte-coreana. "Falei com o presidente Xi, com quem tenho uma química muito boa, uma ótima relação. Eles estão fazendo muito... mas podem fazer mais. Noventa e três por cento do comércio [norte-coreano] passa pela China."

O chefe da Casa Branca, no entanto, não ofereceu o mesmo tratamento à Rússia. Depois dos vários elogios que Trump fez a Vladimir Putin no passado, e de ter manifestado intenção de aproximar os dois países, agora o presidente americano reconhece a falta de diálogo com o Kremlin. Ele indicou que a Rússia ajuda a Coreia do Norte a burlar as sanções impostas pela ONU.

"A Rússia não está nos ajudando em nada com a Coreia do Norte. Ele [Putin] pode fazer muito. Mas infelizmente nós não temos um relacionamento. Acho isso muito ruim, mas infelizmente não temos de fato uma relação com a Rússia, e em alguns casos é provável que o que a China tira [da Coreia do Norte], a Rússia dá. Então o resultado final [das sanções] não é tão bom quanto poderia."

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