Bebê morre intoxicado por gás lacrimogêneo em Gaza, dizem palestinos; nº de mortos sobe

Do UOL, em São Paulo

  • AFP PHOTO / MAHMUD HAMS

    Palestinos lamentam a morte do bebê Leila al-Ghandour, de 8 meses

    Palestinos lamentam a morte do bebê Leila al-Ghandour, de 8 meses

Um bebê palestino morreu intoxicado após inalar gás lacrimogêneo lançado por Israel para reprimir manifestantes palestinos na fronteira com a Faixa de Gaza, informou nesta terça-feira (15) o Ministério da Saúde da Palestina.

O bebê foi identificado como Leila al-Ghandour, de oito meses, e está entre as dezenas de palestinos mortos durante a segunda-feira nos confrontos com as tropas israelenses. Imagens captadas por agências de notícias mostram a mãe do bebê em prantos durante o sepultamento da criança.

De acordo com o Ministério da Saúde da Palestina, em balanço divulgado na manhã desta terça, são 60 palestinos mortos, incluindo oito crianças, e 2.771 feridos nos protestos. Grande parte foi morta ou ferida por tiros de soldados israelenses.

Foi o dia mais violento na região em quatro anos. Nesta terça, os palestinos enterravam os mortos e se preparavam para novos protestos, recordando a "Nakba", a "catástrofe", como definem a criação do Estado de Israel em 1948 e o êxodo de centenas de milhares de palestinos.

Os protestos também foram motivados pela transferência da embaixada dos Estados Unidos para Jerusalém, com o reconhecimento norte-americano de que a cidade disputada é a capital de Israel, na segunda-feira (14). Apesar da violência em Gaza, representantes israelenses e americanos celebraram um "dia histórico" para o estado judeu.

Hamas e Israel prometem combate

Khalil al-Hayya, um dos líderes do Hamas, movimento islamita que governa a Faixa de Gaza, afirmou que as manifestações devem prosseguir.

O Hamas, que enfrentou Israel em três guerras desde 2008, apoia a mobilização e afirma que esta é uma iniciativa civil, um movimento pacífico. Os milhares de combatentes do grupo não utilizaram suas armas até o momento, mas Al-Hayya deu a entender que isto pode mudar.

Já o Exército israelense acusa o Hamas de utilizar este movimento para misturar combatentes armados entre a multidão ou para colocar artefatos explosivos na fronteira.

As autoridades israelenses mobilizaram milhares de soldados ao redor da Faixa de Gaza e na Cisjordânia pelo receio de novos distúrbios. "Qualquer atividade terrorista terá uma resposta", advertiu o governo.

Israel teme que os palestinos derrubem a cerca de segurança e entrem em seu território. O governo alertou que utilizará "todos os meios" para proteger a barreira, seus soldados e os civis.

Ao mesmo tempo, o governo afirma que seus soldados só utilizam balas letais como último recurso.

Também estão previstas manifestações na Cisjordânia, a dezenas de quilômetros da Faixa de Gaza. Os dois territórios estão separados pelo território israelense.

Repercussão negativa para Israel

Israel recebeu críticas pelo uso excessivo de força na segunda-feira. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir durante a tarde, a pedido do Kuait.

Nesta terça-feira, a China pediu moderação, "especialmente a Israel (...) para evitar uma escalada de tensão".

As autoridades palestinas denunciaram um "massacre". Turquia, Irlanda e África do Sul decidiram convocar para consultas seus embaixadores em Israel. Ancara acusou Israel de "terrorismo de Estado" e de "genocídio", atribuindo parte da responsabilidade ao governo dos Estados Unidos.

A França "condenou a violência das Forças Armadas israelenses contra os manifestantes" palestinos.

Mas o governo dos Estados Unidos, aliado histórico de Israel e cujo presidente Donald Trump multiplicou os gestos favoráveis ao Estado hebreu, bloqueou na segunda-feira a aprovação de um comunicado do Conselho de Segurança que expressava "indignação e tristeza com as mortes de civis palestinos que exercem seu direito de manifestação pacífica". A Anistia Internacional chegou a mencionar "crimes de guerra".

Desde 30 de março, a Faixa de Gaza é cenário de protestos conhecidos como a "a grande marcha de retorno". O movimento defende a reivindicação dos palestinos a retornar para as terras das quais fugiram ou foram expulsos com a criação de Israel em 1948.

O movimento também denuncia o bloqueio imposto há mais de 10 anos à Faixa de Gaza por Israel para conter o Hamas. (Com AFP)

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