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'Israel tem direito de determinar sua capital como qualquer outra nação', dizem EUA em Jerusalém

AFP PHOTO / Menahem KAHANA
Ao lado de Ivanka Trump, secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, inaugura a embaixada Imagem: AFP PHOTO / Menahem KAHANA

Do UOL, em São Paulo

14/05/2018 10h53

Em meio a protestos que deixaram dezenas de mortos e mais de 1.000 feridos na Faixa de Gaza, os Estados Unidos inauguraram na manhã desta segunda-feira (14) sua embaixada em Jerusalém, transferindo sua sede diplomática e reconhecendo a cidade disputada como capital de Israel.

"Israel é um país soberano e tem o direito, como qualquer outra nação, de determinar sua capital. Demorou muitos anos até que reconhecêssemos o óbvio: a capital de Israel é Jerusalém", afirmou Donald Trump, que participou da cerimônia por meio de videoconferência, em um vídeo gravado previamente.

O presidente norte-americano lembrou que as sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário de Israel estão em Jerusalém. "Israel determinou Jerusalém como sua capital, a cidade que o povo judeu, em tempos antigos, disse ser sua capital", afirmou Trump.

Presente à cerimônia, o embaixador dos EUA em Israel, David Friedman, que chefiará o corpo diplomático em Jerusalém, lembrou que o Congresso norte-americano aprovou em 1995 a transferência da embaixada para a cidade. "Foram 23 anos até que essa lei fosse implementada. Mas hoje mantemos a promessa ao povo americano e estendemos a Israel o mesmo direito de outras nações: de determinar sua capital", declarou Friedman.

Decisão polêmica

A transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém neste 14 de maio -data que celebra também os 70 anos da independência de Israel - contraria o consenso da comunidade internacional, liderada pela ONU, de não reconhecer a cidade disputada como capital do país.

A região oriental de Jerusalém, apontada como território palestino desde a partilha que criou Israel, em 1948, é ocupada pelo estado judeu desde 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Os países defendem que o status de Jerusalém seja determinado em consenso entre Israel e Palestina.

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Logo após a fala de Trump, sua filha mais velha, Ivanka, inaugurou oficialmente a embaixada, temporariamente sediada no prédio que era até então o consulado norte-americano em Jerusalém.

Durante a cerimônia, manifestantes chegaram diante da embaixada e trocaram empurrões com soldados israelenses.

'Violência é parte do problema, não da solução', diz genro de Trump

Durante o discurso de Trump, o presidente disse que os EUA têm "a paz como maior esperança". "Os Estados Unidos estão comprometidos com um acordo de paz permanente" na região, disse Trump. "Os EUA sempre serão um grande amigo de Israel e parceiro da liberdade e da paz."

No fim de sua fala, Trump citou também os palestinos. "Nós estendemos a mão a Israel, aos palestinos e a todos os seus vizinhos. Que haja a paz", declarou o presidente americano.

Mas o primeiro a fazer referências diretas aos protestos em Gaza foi Jared Kushner, marido de Ivanka e conselheiro-sênior de Trump. "O presidente foi bem claro em dizer que essa decisão e a cerimônia de hoje não representam uma partida de nosso comprometimento com a paz duradoura", disse Kushner.

"Como vimos nos protestos do último mês, e mesmo hoje, essa violência provocadora é parte do problema, e não parte da solução. Os Estados Unidos estão prontos para apoiar acordo de paz, como pudermos. Acreditamos que é possível que os dois lados ganhem e que todos possam viver em paz e livres do medo", acrescentou.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, foi um dos últimos a discursar e, de forma efusiva, agradeceu Trump. "Que dia glorioso. Lembrem-se desse momento. Presidente Trump, por reconhecer a história, você fez história", declarou Netanyahu.