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Vi o carro da frente cair, diz motorista de caminhão deixado à beira de ponte desabada na Itália

Valery Hache/AFP
Imagem: Valery Hache/AFP

Do UOL, em São Paulo

15/08/2018 12h10Atualizada em 16/08/2018 16h20

O motorista do caminhão que conseguiu parar a tempo e salvar-se da queda da ponte Morandi, em Gênova, deixou o veículo ainda ligado e saiu correndo assim que percebeu o desabamento do viaduto. "Só me salvei porque um carro me ultrapassou e reduzi a velocidade. Vi o veículo cair com todos os outros. Freei de repente, coloquei a marcha ré, abri a porta e fugi", disse o homem, que não foi identificado, em entrevista ao jornal italiano "La Repubblica". "O caminhão ficou lá, com o motor ligado".

Quem estava embaixo da ponte conseguia ver os limpadores de para-brisas ainda funcionando no caminhão --chovia muito no momento do desabamento da ponte. Segundo a empresa dona do veículo, o caminhão foi abandonado com três quartos do tanque de combustível cheio e ele ainda está ligado nesta quarta-feira (15). "Ele pode permanecer ligado por três ou quatro dias assim, se não superaquecer", diz Annalisa Damonte, da Damonte Transportes.

A estrutura desmoronou na manhã de terça (14), deixando pelo menos 39 mortos. Foram resgatados 16 feridos, 12 deles em estado grave. As autoridades citaram pelo menos 10 desaparecidos e ainda buscam sobreviventes. De acordo com o Serviço de Proteção Civil, 35 automóveis e três caminhões caíram da ponte no desabamento.

Outro motorista, identificado como Afifi Idriss, de 39 anos, também estava sobre a ponte no momento do acidente e conseguiu frear bem a tempo. "Eu vi um caminhão verde à minha frente frear e dar ré, então, também parei, tranquei o caminhão e corri", afirma o motorista marroquino, referindo-se ao veículo da Damonte Transportes.

O trecho que ruiu tinha duas faixas e passava sobre um rio, prédios e trilhos de trem, o que levou os serviços ferroviários ao redor de Gênova a serem interrompidos. No momento do colapso, uma chuva torrencial atingia a região.

Testemunha do desabamento, Ivan, 37, que foi retirado ainda na terça-feira do edifício próximo em que trabalha, descreveu o desmoronamento como inacreditável. "Ver uma pilastra desabar como papel machê é uma coisa incrível", disse. "Sempre soubemos dos problemas. Ela está em manutenção contínua. Nos anos 1990 eles acrescentaram alguns reforços em uma parte, mas mesmo por baixo você vê a ferrugem", contou.

As equipes de emergência seguem trabalhando no local e estão tentando retirar os escombros o mais rápido possível, um trabalho complicado que previsivelmente se prolongará durante os próximos dias, adiantou a Cruz Vermelha em uma nota.

Segundo o vice-premiê e ministro do Interior, Matteo Salvini, entre as vítimas da tragédia de Gênova estavam três crianças de 8, 12 e 13 anos.

Projetada pelo engenheiro Riccardo Morandi, a ponte foi construída entre 1963 e 1967 e chegou a ser batizada de "Ponte do Brooklyn" pelas semelhanças com o famoso local em Nova York. O viaduto mede 1.182 metros e tem 90 metros de altura - mais alto que a Ponte Rio-Niterói, no Rio de Janeiro. Atravessa Polcevera, em Gênova, e passa pelos bairros de Sampierdarena e Cornigliano, que ficam próximos ao aeroporto local. É considerada uma das principais vias de acesso pela capital da Ligúria e, diariamente, o local fica repleto de veículos em congestionamento.

(Com agências internacionais)