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Irlandeses protestam contra visita do papa reservando ingressos para não ir à missa

Riccardo De Luca/AP
Imagem: Riccardo De Luca/AP

Do UOL, em São Paulo

23/08/2018 16h34

Um grupo irlandês está criticando a visita do papa Francisco ao país. Como forma de protesto, os integrantes do chamado "Diga Não ao Papa" solicitaram ingressos gratuitos para a missa papal com o objetivo de não comparecer ao evento religioso, no próximo domingo (26), no Phoenix Park, em Dublin. Cerca de 500 mil ingressos estão sendo distribuídos de graça entre fiéis.

De acordo com o jornal inglês "The Guardian", o protesto silencioso e pacífico já conta com 9.000 apoiadores em sua página no Facebook.

Segundo Michael Stewart, um dos organizadores, a ideia tem dado certo por ser "uma forma efetiva de manifestação".“Como cidadãos irlandeses, todos nós tínhamos direito a um ingresso para a missa papal, se quiséssemos. O contribuinte estava financiando esta visita, independentemente de sua fé, e essa foi a cereja do bolo para muitos”, disse ele ao "Guardian".

"Por que as pessoas não podem reivindicar o ingresso e usá-lo como quiserem? Parece que não usar o ingresso de forma ativa e deliberada foi uma opção apropriada, enquanto nos solidarizamos com as várias vítimas dessa organização atroz", completou, se referindo à Igreja Católica.

No Facebook, um manifestante contou que conseguiu solicitar 1.312 ingressos para a missa, registrando vários deles com o nome de Jesus Cristo. Outro contou que conseguiu 800 ingressos usando emails diferentes.

O grupo afirmou que a ideia da manifestação é só pedir os ingressos que cada irlandês tem direito, em um “protesto pacífico, silencioso e respeitoso contra uma das maiores organizações corruptas do mundo”.

No momento da missa, o movimento vai organizar uma vigília em homenagem às vítimas de abusos por padres. Os motivos do protesto são o acobertamento de casos de pedofilia cometidos por sacerdotes e a adoção forçada de bebês nascidos de mulheres solteiras.

“Isso não é uma coisa antirreligião, não se trata de desrespeito pelas crenças das pessoas ou pelo seu direito de praticar qualquer crença em particular. É sobre pessoas como eu que foram educadas como católicas, que estavam praticando a religião e que de repente pensaram: 'Espere um pouco, esses são erros terríveis dos quais estamos ouvindo falar'. Esperamos e esperamos, e a igreja não fez nada", disse Mary Coll, que solicitou dois ingressos, mas vai participar da vigília.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, criticou a campanha e chamou os manifestantes de mesquinhos.

“Protestar é legítimo, mas negar a outras pessoas a oportunidade de assistir a uma missa ou a um evento não é um protesto legítimo, na minha opinião. É injusto e deve ser condenado”, disse o político.

Papa vai se encontrar com vítimas de abuso

O papa Francisco vai se encontrar com vítimas de abuso sexual de clérigos durante a visita à Irlanda no fim de semana.

Greg Burke, porta-voz da viagem do pontífice, disse a repórteres que caberá às vítimas decidir se vão querer falar sobre o encontro depois da reunião.

O papa viaja à Irlanda para participar do encerramento de uma reunião católica internacional sobre o tema da família. O evento acontece a cada três anos em uma cidade diferente. (Com Reuters e agências internacionais)