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Pacotes-bomba são enviados para Joe Biden e Robert De Niro; casos nos EUA chegam a 10

O ex-vice-presidente americano Joe Biden - Hilary Swift/The New York Times
O ex-vice-presidente americano Joe Biden Imagem: Hilary Swift/The New York Times

Do UOL, em São Paulo

25/10/2018 09h47

O ex-vice-presidente dos EUA, Joe Biden, foi alvo de dois pacotes-bomba interceptados pela polícia nesta quinta-feira (25). Os pacotes suspeitos de conter explosivos foram localizados em um posto dos correios em Delaware. Com esses casos, chega a 10 o número de ameaças de bomba feitas contra políticos e apoiadores do Partido Democrata.

Nesta manhã, a polícia de Nova York também foi acionada para investigar uma suspeita de bomba em um restaurante que pertence ao ator Robert De Niro. Um funcionário da Tribeca Productions, empresa de filmes e televisão cofundada por De Niro, suspeitou de um pacote recebido e alertou a polícia, que enviou o esquadrão antibombas ao local e recolheu o objeto suspeito para análise. O restaurante, chamado Tribeca Grill, foi evacuado. 

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Os pacotes suspeitos de conter um artefato explosivo são semelhantes a outros enviados para o ex-presidente Barack Obama, para a emissora CNN, para o casal Bill e Hillary Clinton, para o bilionário George Soros, para a deputada democrata Maxine Waters, entre outros alvos.

Pacote Niro - Angela Weiss/AFP - Angela Weiss/AFP
Área em frente a prédio onde fica o Tribeca Grill, restaurante de Robert De Niro, alvo de pacote-bomba
Imagem: Angela Weiss/AFP

O envio dos pacotes com explosivos, condenado por líderes democratas e republicanos, incluindo Trump, ocorre enquanto o país se prepara para as eleições legislativas, agendadas para 6 de novembro, que vão determinar se os republicanos mantêm o controle no Congresso.

De acordo com o FBI (polícia federal norte-americana), é possível que mais pacotes suspeitos com explosivos tenham sido enviados para personalidades liberais ou ligadas ao Partido Democrata - padrão encontrado em todas as vítimas da ameaça. 

"Talvez outros pacotes foram enviados pelos serviços postais para outras localidades. Nós recomendamos não tocar, mover ou manusear nenhum pacote suspeito ou desconhecido", orientou o FBI. A entidade tem tratado o caso como "terrorismo doméstico". Não há registros de explosões, nem de feridos.

Pacote - Reprodução/CNN/Twitter - Reprodução/CNN/Twitter
Pacote suspeito de conter explosivo enviado ao democrata Joe Biden
Imagem: Reprodução/CNN/Twitter

Trump responsabiliza a mídia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou nesta quinta-feira redes de comunicação por provocarem raiva e retórica de ódio contra políticos. "Uma parte muito grande da raiva que vemos hoje na nossa sociedade é causada pelas reportagens propositalmente falsas e incorretas da mídia tradicional, às quais eu me refiro como 'fake news'", escreveu Trump em publicação no Twitter.

"Ficou tão ruim e odioso que não há descrição. A mídia tradicional precisa limpar seu comportamento, rápido".

Em pronunciamento nesta quarta, após os primeiros pacotes serem encontrados, Trump pediu unidade aos dois lados da política americana. No mesmo dia, em um evento de campanha em Wisconsin, ele elogiou a si mesmo, dizendo que estava se comportando muito bem após o ocorrido.

Alvos são democratas e críticos de Trump

Alvos de pacotes-bomba nos EUA - AFP - AFP
Robert De Niro, Barack Obama, Hillary Clinton George Soros (em cima, da esq. para dir); Joe Biden, Debbie Schultz, John Brennan, Maxine Waters (em baixo, da esq. para dir)
Imagem: AFP

Todos os destinatários dos pacotes suspeitos são políticos democratas ou personalidades mal vistas por críticos de direita nos EUA, como a ex-candidata à presidência Hillary Clinton e o ex-procurador-geral de Obama Erick Holder.

O ex-diretor da CIA John Brennan, o doador do Partido Democrata George Soros e a deputada da Califórnia Maxine Walters costumam fazer críticas explícitas a Trump.

Durante a campanha eleitoral de 2016, De Niro afirmou que o então candidato republicano era "descaradamente estúpido", "completamente louco" e "idiota". Em junho, o ator de 75 anos foi aplaudido de pé durante a cerimônia de Tony Awards ao criticar o presidente.

Para onde foram os pacotes

Segunda-feira (22):

1. George Soros, doador de campanha dos democratas, no estado de Nova York.

Terça-feira (23):

2. Casa de Bill Clinton (ex-presidente dos EUA, democrata) e Hillary Clinton (adversária de Trump nas eleições de 2016), no estado de Nova York.

Quarta-feira (24):

3. Escritório do ex-presidente Barack Obama (democrata) em Washington DC.

24.out.18 - O pacote enviado à rede de televisão CNN nesta quarta (24) - Reprodução - Reprodução
24.out.18 - O pacote enviado à rede de televisão CNN nesta quarta (24)
Imagem: Reprodução

4. John Brennan, ex-diretor da CIA e crítico de Trump. O pacote foi enviado à CNN - ele é colaborador da TV. Autoridades em NY confirmaram que o explosivo encontrado na CNN estava ativo - ou seja, com potencial explosivo. O pacote continha ainda um pó branco que será investigado.

5. Eric Holder, procurador-Geral da era Obama, era o destinatário de um envelope com explosivos postado com endereço errado. No endereço de "devolução em caso de impossibilidade de entrega", estava o endereço do escritório da deputada democrata Debbie Wasserman Schultz - onde o pacote foi interceptado.

6. Maxine Waters, deputada democrata, receberia um pacote que foi identificado no centro de triagem da correspondência do Congresso, em Capitol Heights, Maryland.

7. Um segundo pacote suspeito enviado para Maxine Waters foi interceptado em Los Angeles.

Quinta-feira (25):

8. Robert De Niro, crítico ferrenho de Donald Trump, era o destinatário de pacote enviado para o restaurante Tribeca Grill, em Nova York

Pacote Biden - The Philadelphia Inquirer/AP/David Swanson - The Philadelphia Inquirer/AP/David Swanson
Polícia remove pacotes suspeitos endereçados a Joe Biden em posto dos correios em Delaware
Imagem: The Philadelphia Inquirer/AP/David Swanson

9. e 10. Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA, era o destinatário de dois pacotes interceptados pela polícia em Delaware.

Os pacotes não chegaram às mãos de nenhum dos destinatários, uma vez que foram interceptados pelos serviços de inteligência ou encontrados antes de serem entregues.