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Dois novos pacotes suspeitos são enviados para democratas; casos já chegam a 12

Polícia responde a um alerta de pacote suspeito no bairro de Manhattan, em Nova York - MIKE SEGAR/REUTERS
Polícia responde a um alerta de pacote suspeito no bairro de Manhattan, em Nova York Imagem: MIKE SEGAR/REUTERS

Do UOL, em São Paulo*

26/10/2018 10h46

Já são 12 os pacotes suspeitos enviados para democratas e opositores de Donald Trump nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira (26), um pacote foi enviado para Cory  Booker, senador democrata por Nova Jersey, e outro para o ex-diretor da Inteligência Nacional, James Clapper. O pacote de Clapper foi encontrado em posto dos correios em Nova York. Já o pacote enviado para Cory Booker foi interceptado na Flórida. 

"O FBI confirmou que um 11º pacote foi recuperado na Flórida, semelhante em aparência aos outros, dirigido ao senador Cory Booker", publicou no Twitter a polícia federal dos EUA. 

James Clapper e Cory Booker - Reprodução - Reprodução
James Clapper, ex-diretor de Segurança Nacional, e Cory Booker, senador democrata por Nova Jersey
Imagem: Reprodução

Segundo a CNN, o pacote enviado a Clapper também estava endereçado para a rede americana. "O pacote suspeito encontrado em uma instalação postal de Nova York foi endereçado a James Clapper e à CNN", escreveu a emissora.

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O primeiro pacote-bomba da série de casos dessa semana foi enviado ao doador da campanha democrata George Soros na segunda (22). Desde então, o casal Clinton, o ex-presidente Barack Obama, a rede CNN, o ator Robert de Niro, entre outros, já receberam ou tiveram conteúdos suspeitos interceptados.

A Secretária de Segurança Interna dos EUA, Kirstjen Nielsen, disse que a Flórida parecia ser o ponto de partida para pelo menos alguns dos carregamentos de bombas.

“Alguns dos pacotes foram enviados pelo correio. Eles se originaram, alguns deles, da Flórida”, disse ela durante uma entrevista com o Fox News Channel na quinta-feira. "Estou confiante de que essa pessoa ou pessoas serão levadas à justiça."

As autoridades chamaram as bombas de encomendas de um ato de terrorismo. Eles foram enviados menos de duas semanas antes das eleições nacionais que poderiam alterar o equilíbrio de poder em Washington.

Trump responsabiliza a mídia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou na quinta-feira redes de comunicação por provocarem raiva e retórica de ódio contra políticos. "Uma parte muito grande da raiva que vemos hoje na nossa sociedade é causada pelas reportagens propositalmente falsas e incorretas da mídia tradicional, às quais eu me refiro como 'fake news'", escreveu Trump em publicação no Twitter.

"Ficou tão ruim e odioso que não há descrição. A mídia tradicional precisa limpar seu comportamento, rápido".

Em pronunciamento nesta quarta, após os primeiros pacotes serem encontrados, Trump pediu unidade aos dois lados da política americana. No mesmo dia, em um evento de campanha em Wisconsin, ele elogiou a si mesmo, dizendo que estava se comportando muito bem após o ocorrido.

Alvos são democratas e críticos de Trump

Alvos de pacotes-bomba nos EUA - AFP - AFP
Robert De Niro, Barack Obama, Hillary Clinton George Soros (em cima, da esq. para dir); Joe Biden, Debbie Schultz, John Brennan, Maxine Waters (em baixo, da esq. para dir)
Imagem: AFP

Todos os destinatários dos pacotes suspeitos são políticos democratas ou personalidades mal vistas por críticos de direita nos EUA, como a ex-candidata à presidência Hillary Clinton e o ex-procurador-geral de Obama Erick Holder.

O ex-diretor da CIA John Brennan, o doador do Partido Democrata George Soros e a deputada da Califórnia Maxine Walters costumam fazer críticas explícitas a Trump.

Durante a campanha eleitoral de 2016, De Niro afirmou que o então candidato republicano era "descaradamente estúpido", "completamente louco" e "idiota". Em junho, o ator de 75 anos foi aplaudido de pé durante a cerimônia de Tony Awards ao criticar o presidente.

Para onde foram os pacotes

Segunda-feira (22):

1. George Soros, doador de campanha dos democratas, no estado de Nova York.

Terça-feira (23):

2. Casa de Bill Clinton (ex-presidente dos EUA, democrata) e Hillary Clinton (adversária de Trump nas eleições de 2016), no estado de Nova York.

Quarta-feira (24):

3. Escritório do ex-presidente Barack Obama (democrata) em Washington DC.

24.out.18 - O pacote enviado à rede de televisão CNN nesta quarta (24) - Reprodução - Reprodução
24.out.18 - O pacote enviado à rede de televisão CNN nesta quarta (24)
Imagem: Reprodução

4. John Brennan, ex-diretor da CIA e crítico de Trump. O pacote foi enviado à CNN - ele é colaborador da TV. Autoridades em NY confirmaram que o explosivo encontrado na CNN estava ativo - ou seja, com potencial explosivo. O pacote continha ainda um pó branco que será investigado.

5. Eric Holder, procurador-Geral da era Obama, era o destinatário de um envelope com explosivos postado com endereço errado. No endereço de "devolução em caso de impossibilidade de entrega", estava o endereço do escritório da deputada democrata Debbie Wasserman Schultz - onde o pacote foi interceptado.

6. Maxine Waters, deputada democrata, receberia um pacote que foi identificado no centro de triagem da correspondência do Congresso, em Capitol Heights, Maryland.

7. Um segundo pacote suspeito enviado para Maxine Waters foi interceptado em Los Angeles.

Quinta-feira (25):

8. Robert De Nirocrítico ferrenho de Donald Trump, era o destinatário de pacote enviado para o restaurante Tribeca Grill, em Nova York

Pacote Biden - The Philadelphia Inquirer/AP/David Swanson - The Philadelphia Inquirer/AP/David Swanson
Polícia remove pacotes suspeitos endereçados a Joe Biden em posto dos correios em Delaware
Imagem: The Philadelphia Inquirer/AP/David Swanson

9. e 10. Joe Biden, ex-vice-presidente dos EUA, era o destinatário de dois pacotes interceptados pela polícia em Delaware.

Sexta-feira (26)

11. Cory Booker, senador americano democrata, Cory Booker, teve um pacote interceptado na Flórida

12. James Clapper, ex-diretor da inteligência Nacional, teve um pacote enviado a Nova York

Os pacotes não chegaram às mãos de nenhum dos destinatários, uma vez que foram interceptados pelos serviços de inteligência ou encontrados antes de serem entregues. 

*Com Reuters