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Bolsonaro cancela viagem a Nova York e culpa "ataques"

Trump e Bolsonaro durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em março - Reuters
Trump e Bolsonaro durante coletiva de imprensa na Casa Branca, em março Imagem: Reuters

Leandro Prazeres e Marina Motomura

Do UOL, em Brasília

03/05/2019 19h16Atualizada em 03/05/2019 21h15

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) cancelou a viagem que faria nos próximas dias a Nova York. Em 14 de maio, ele receberia o prêmio "Pessoa do Ano", oferecido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

Em nota emitida nesta noite, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, disse que o cancelamento se deve aos "ataques" feitos pelo prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, a Bolsonaro.

"O presidente da República agradece a homenagem proposta pela Câmara de Comércio Brasil-EUA, ao escolhê-lo 'Personalidade do Ano de 2019'", diz a mensagem. "Entretanto, em face da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York e da pressão de grupos de interesses sobre as instituições que organizam, patrocinam e acolhem em suas instalações o evento anualmente, ficou caracterizada a ideologização da atividade", continua a nota de Rêgo Barros.

A viagem estava prevista para acontecer dos dias 13 a 15 de maio e, além de Nova York, incluiria uma passagem por Miami. Ambas foram canceladas, afirma o porta-voz.

Desde que a premiação de "Pessoa do Ano" a Bolsonaro foi anunciada, o evento foi cercado de polêmicas.

O Museu Americano de História Natural desistiu de sediar o jantar após críticas da comunidade acadêmica. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, disse que Bolsonaro não era bem-vindo à cidade e o chamou de racista, homofóbico e destrutivo.

A companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times, que tinham topado apoiar a festa, recuaram no início desta semana. Ao explicar a decisão, a Bain disse à CNN que "celebrar a diversidade é um princípio essencial" da empresa.

Hoje, a Folha de S.Paulo revelou que, com as negativas dos patrocinadores, o Banco do Brasil teria comprado cotas do jantar.

Esta seria a segunda viagem de Bolsonaro aos EUA em menos de cinco meses de mandato. Em março, o presidente esteve em viagem oficial a Washington, onde foi recebido por Donald Trump.

Senador dos EUA comemora desistência

Por meio de suas redes sociais, o senador democrata Brad Hoylman comemorou a desistência de Bolsonaro de comparecer à homenagem feita pela Câmara de Comércio Brasil-EUA. "Vitória: Nós enfrentamos o presidente homofóbico do Brasil Jair Bolsonaro e nós vencemos. De acordo com as notícias brasileiras, ele desistiu do evento no Marriott Marquis e cancelou sua viagem aos EUA. O ódio não tem espaço em Nova York.", escreveu Hoylman.

O senador foi responsável por organizar um abaixo-assinado nos Estados Unidos pedindo o cancelamento do evento que receberia o presidente. Entre os argumentos, Hoylman citou os ataques de Bolsonaro à comunidade LGBTQ e o episódio com a deputada Maria do Rosário (PT), onde o capitão reformado afirmou que ela não "merece ser estuprada."

O texto chegou a receber mais de 60 mil assinaturas e a hashtag #CancelBolsonaro esteve entre as mais citadas do Twitter ontem.

Entenda o prêmio

O jantar de gala da premiação de "Pessoa do Ano" acontece anualmente e é organizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos desde 1970. Normalmente, um brasileiro e um norte-americano avaliados como importantes para aproximar os dois países são escolhidos para receber o prêmio. Homenageados incluem os ex-presidentes do Brasil Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e dos Estados Unidos Bill Clinton.

A escolha de Bolsonaro para receber o prêmio foi alvo de críticas nas redes sociais por pessoas que julgavam o local da entrega - um museu de história natural - incompatível com o pensamento do presidente.

O UOL entrou em contato com a Brazilian-American Chamber of Commerce para comentar o cancelamento e aguarda retorno.

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