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Sem citar Macri, Bolsonaro conclama argentinos a votarem pela 'liberdade'

Luciana Amaral

Do UOL, em Buenos Aires

06/06/2019 13h36Atualizada em 06/06/2019 17h01

Em visita ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, em Buenos Aires, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez um apelo indireto para que os argentinos reelejam o mandatário do país vizinho na próxima eleição.

Bolsonaro não citou diretamente o nome de Macri e também não mencionou a ex-presidente Cristina Kirchner, hoje candidata a vice na chapa de Alberto Fernández, tido como o maior adversário do atual chefe de Estado argentino.

"Conclamo o povo argentino, que Deus abençoe a todos eles, porque terão pela frente agora no mês de outubro eleições. Todos têm que ter, como, no Brasil, grande parte teve, muita responsabilidade, muita razão e menos emoção para decidir o futuro deste país maravilhoso que é a Argentina", disse Bolsonaro.

O brasileiro vem tendo uma postura crítica em relação a Cristina Kirchner desde que tomou posse e já defendeu publicamente o voto em Macri.

"Nós queremos continuar cada vez mais parceiros não só na economia bem como no objetivo maior de qualquer homem e qualquer mulher, que é a liberdade, valor esse que não podemos abrir mão em nenhuma hipótese", afirmou.

Em declaração à imprensa após encontro, ambos os presidentes reforçaram críticas à ditadura na Venezuela, sob o comando de Nicolás Maduro.

Bolsonaro chamou Macri de "irmão" e disse que compartilham "praticamente os mesmos ideais". Segundo o brasileiro, a visita representa o que querem de melhor para seus povos.

Toda a América do Sul está preocupada para que não tenhamos novas Venezuelas na região

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil

Macri afirmou que o respeito aos direitos humanos e à democracia fizeram parte dos temas do encontro e, assim como Bolsnonaro, criticou a ditadura de Maduro, citando "duro momento" pelo qual vivem os cidadãos daquele país.

Ele disse que Argentina e Brasil ratificam o compromisso de seguir fazendo todo o possível para que haja a restauração da democracia na Venezuela.

Os presidentes Bolsonaro e Macri - Agustin Marcarian/Reuters
Os presidentes Bolsonaro e Macri
Imagem: Agustin Marcarian/Reuters

A Venezuela voltou a ser o destaque do discurso de brinde feito por Jair Bolsonaro em almoço oferecido pelo presidente argentino em um dos salões do Museu do Bicentenário, anexo à Casa Rosada.

"O próprio Brasil esteve muito à beira desse abismo [...] Se a corrupção nos leva algo de concreto, as ideologias podem nos levar algo que só se dá valor depois que se perde, que é a nossa liberdade", disse Bolsonaro. Ele voltou a afirmar que espera uma divisão na cúpula do Exército venezuelano para que Nicolás Maduro seja retirado do poder. "Caso contrário, fica complicado trazer a normalidade para a região", avaliou.

Homenagem ao general San Martin

Bolsonaro chegou a Buenos Aires acompanhado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e uma comitiva de sete ministros, entre outras pessoas.

Antes de seguir para a Casa Rosada, sede do Executivo argentino, o presidente foi para a praça San Martín para depositar flores em homenagem ao general José de San Martin, um dos líderes pela independência da Argentina do domínio espanhol.

Os presidentes Bolsonaro e Macri e as primeiras-damas Michelle Bolsonaro e Juliana Alwada - Agustin Marcarian/Reuters
Os presidentes Bolsonaro e Macri e as primeiras-damas Michelle Bolsonaro e Juliana Alwada
Imagem: Agustin Marcarian/Reuters

Além de participar da visita oficial na Casa Rosada, Michelle Bolsonaro foi à abertura da 2ª Cúpula Global sobre Deficiência. A primeira-dama é conhecida por defender a causa e esteve acompanhada da vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, cadeirante e organizadora do evento.

No encontro na Casa Rosada, Bolsonaro deu de presente a Macri a camisa titular da seleção brasileiro com o número 10 e o sobrenome do argentino nas costas, além de um boné da seleção. Macri agradeceu e, sorridente, chegou a colocar o boné antes de servirem o prato de entrada da refeição. O argentino foi presidente do Boca Juniors, antes de ser o mandatário do país

Fortalecimento do Mercosul e discussão de acordos

Além de questões políticas, o foco da visita foi o acerto de últimos detalhes para o acordo do Mercosul, grupo do qual Brasil e Argentina fazem parte, com a União Europeia. A previsão do ministro da Economia, Paulo Guedes, é que a assinatura saia em até quatro semanas. De acordo com um integrante do governo, o Brasil pode ganhar cerca de R$ 60 bilhões por ano com o acordo.

Não houve a assinatura de acordos bilaterais de destaque, mas foram firmados memorando de entendimento sobre cooperação na área de bioenergia, incluindo biocombustíveis, de mineração e para intercâmbio de energia elétrica em caráter emergencial. Os presidentes ainda assinaram declaração conjunta sobre política nuclear, devido aos 25 anos da entrada em vigor do Acordo Quadripartite.

A construção de hidrelétricas na fronteira molhada entre Brasil e Argentina foi comentada, mas a discussão ainda está em estado incipiente.

Bolsonaro ainda citou um novo tema a ser colocado em pauta pelos países da América do Sul e querer um encontro destes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no G20, previsto para o final de junho no Japão, mas não quis detalhá-lo.

Noite terá show de tango?

Questionado se após o jantar privado iria passear com Michelle, que o acompanha pela primeira vez em uma viagem internacional, o presidente disse que com certeza ela iria sair, porque "gosta de um shopping".

De bom humor, disse também não saber se aproveitaria a presença na capital argentina para assistir a um show de tango. "Não sei. A agenda noturna é 100% dela. Eu entro só com a despesa. Ela entra com o programa", concluiu.

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