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Quem é Jeanine Añez, senadora que reivindica a Presidência da Bolívia

A senadora boliviana Jeanine Añez - Reprodução/Facebook
A senadora boliviana Jeanine Añez Imagem: Reprodução/Facebook

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo*

11/11/2019 12h47

Após a renúncia de Evo Morales e diversas outras autoridades da cadeia de sucessão para a Presidência da Bolívia, a senadora da oposição Jeanine Añez reivindicou, ontem, o direito de assumir o cargo.

Ainda não está claro, no entanto, se cabe a Añez assumir a Presidência —no momento, ninguém sabe quem comanda o país.

Pela Constituição boliviana, o sucessor do presidente é o vice-presidente. Na falta dele, passa a ser considerado o presidente do Senado. Caso este também esteja ausente, a vez passa a ser do presidente da Câmara dos Deputados. Mas, ontem, todos eles seguiram o ato de Morales e renunciaram aos respectivos cargos.

Añez é a segunda vice-presidente do Senado. O primeiro vice-presidente do Senado, o governista Rubén Medinacelli, também renunciou ao cargo, de forma que Añez acredita caber a ela ocupar o mais alto posto do Executivo boliviano.

"Estou na segunda vice-presidência e na ordem constitucional me corresponderia assumir este desafio [da Presidência] com o único objetivo de convocar novas eleições", disse Añez em entrevista à emissora de TV privada Unitel.

Mas quem é a senadora que reivindica o cargo deixado vácuo por Morales?

Añez é crítica ao governo de Evo Morales - Reprodução/Facebook
Añez é crítica ao governo de Evo Morales
Imagem: Reprodução/Facebook

Añez tem 52 anos, é advogada e atualmente faz parte da aliança opositora Unidad Demócrata. Entre 2006 e 2008, foi membro da Assembleia Constituinte que redigiu uma nova Constituição na Bolívia.

Ela foi eleita senadora em 2010, pelo partido Plan Progreso para Bolivia-Convergencia Nacional, como representante do departamento de Beni.

É casada com Héctor Hernando Hincapié Carvajal, membro do Partido Conservador Colombiano. Segundo o site do senado boliviano, Añez é também ex-diretora do canal de TV boliviano Total Visión.

Em suas redes sociais, a senadora fez diversas postagens a favor das manifestações que tomaram a Bolívia após o anúncio da vitória de Evo Morales no último pleito presidencial. Ela chamou a vitória de Morales de "fraude".

"Greve cívica, pela democracia, pelo nosso futuro, porque não queremos "socialismo" que é igual a autoritarismo, abuso e pobreza. Riqueza apenas para o poder. Vizinho, vizinha, some-se à luta, bloqueie sua rua!!!", escreveu no dia 6 de novembro.

Em outra publicação, de 31 de outubro, a senadora também incentivou os protestos dizendo ter medo de que a Bolívia "chegasse ao que agora é a Venezuela e à repressão na Nicarágua, ou o que é pior, a Cuba". Ao longo da campanha para as eleições presidenciais na Bolívia, a senadora defendeu a candidatura do senador Óscar Ortiz.

Em agosto deste ano, Añez fez duras críticas a Morales quando ele se vestiu de bombeiro para apagar focos de incêndio que atingiam a Amazônia no país.

"Ele, ao estilo Power Ranger, vai tirar uma foto. É uma falta de respeito com a dor dos outros, para todos os bolivianos", declarou. "A única coisa que o presidente Morales entendeu é que toda a Bolívia o está criticando", disse.

Incertezas e vácuo de poder

A Constituição boliviana prevê, no caso de impedimento ou ausência definitiva do presidente e dos demais cargos na linha sucessória, que novas eleições sejam convocadas dentro de um prazo de 90 dias.

Mas a medida é estabelecida apenas para o caso em que quem assumir o posto deixado vago seja o presidente da Câmara —que também renunciou ontem. A Constituição não diz o que acontece no caso de ausência ou renúncia do líder da Câmara.

Segundo o jornal La Razón, a Assembleia Legislativa da Bolívia precisa antes convocar uma sessão de emergência para aceitar a renúncia de Morales e dos demais para, em seguida, tratar sobre a sucessão presidencial.

Nesse cenário, de acordo com o jornal, o legislador mais velho da casa poderia ficar responsável pela transição e poderiam ser convocadas eleições indiretas para a presidência do Senado.

Não está claro, no entanto, se esses serão os trâmites a serem seguidos —a Assembleia nem sequer tem previsão de quando irá discutir o assunto.

* Com agências internacionais

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