PUBLICIDADE
Topo

Reunião umbandista é apontada como foco de coronavírus em cidade uruguaia

Fronteira entre Livramento, no Brasil, e Rivera, Uruguai - MIGUEL ROJO/AFP
Fronteira entre Livramento, no Brasil, e Rivera, Uruguai Imagem: MIGUEL ROJO/AFP

Do UOL, em São Paulo*

26/05/2020 16h47

Uma reunião umbandista foi apontada por autoridades de saúde do Uruguai como um dos primeiros focos do novo coronavírus na cidade de Rivera, que faz fronteira com o Brasil. Segundo o jornal uruguaio El Observador, sete pessoas participaram do culto religioso que teria provocado contágios em três bairros.

De acordo com a publicação, até hoje já foram confirmados 11 casos de covid-19 vinculados à cerimônia de umbanda. Os participantes da reunião seriam moradores de lugares diversos, do leste ao oeste de Rivera. Depois de voltarem para casa, duas dessas pessoas tiveram diagnóstico positivo para a presença do novo coronavírus no organismo. E a partir deles se deram os outros contágios.

No culto, as pessoas não teriam mantido a distância necessária para evitar a propagação do vírus, e também teriam deixado de usar máscaras. Segundo as fontes ouvidas pelo jornal uruguaio, elas cantaram juntas como parte da cerimônia.

Hoje (26), após a confirmação de 17 novos casos de covid-19 na região no dia anterior (são 29 no total), o diretor de Saúde, Carlos Sarries, e a diretora de coordenação do Ministério da Saúde Pública, Karina Rando, explicaram a detecção dos focos da pandemia em Rivera.

"Há condutas desalinhadas (com as normas de saúde) que levam a esse surgimento que se produziu. De forma concreta nós determinamos dois focos. Um deles é um paciente que morreu no Hospital de Rivera, e a partir dele surgem 12 casos positivos. E então temos outros três focos que são deram em três bairros próximos e que têm em comum um vínculo com outro bairro mais distante, e esse vínculo consistiu em uma reunião religiosa", disse Sarries.

A diretora de coordenação, por sua vez, pediu que "a população entenda" e "receba a mensagem de forma bem clara".

"Quando começou a emergência sanitária nacional decretada pelo presidente, imediatamente foram tomadas medidas apelando ao uso responsável da liberdade. Não foram tomadas ações punitivas com respeito a essas medidas como um apelo ao bom uso da liberdade, o que quer dizer que não apenas temos que nos cuidar sozinhos, mas também cuidar dos outros que estão próximos", disse Karina. "Pratiquem sua fé, que é muito respeitada, mas de forma responsável", concluiu.

De acordo com boletim divulgado pelo Ministério da Saúde Pública do Uruguai ontem, o país tinha 787 casos confirmados de covid-19, com 22 mortes e 629 pacientes recuperados da doença.

Também no mês de maio, nos Estados Unidos, um culto religioso realizado no Dia das Mães foi protagonista de notícia envolvendo a pandemia do novo coronavírus. Um dos frequentadores de uma igreja na Califórnia foi diagnosticado com a covid-19 e expôs 180 pessoas ao risco de contágio da doença.

Presidente reforçou medidas na fronteira

O presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, anunciou ontem o reforço de medidas sanitárias na cidade de Rivera. Ele disse que conversou com seu colega brasileiro, Jair Bolsonaro, para colocar em prática um tratado de ação sanitária binacional já existente.

"Reunimos a aprovação do presidente brasileiro para aplicar esse tratado e, nas próximas horas, o colocaremos em prática", disse, acrescentando que há "preocupação recíproca com o que está acontecendo na fronteira".

Lacalle Pou também informou que os ministérios do Interior e da Defesa adicionarão dois postos migratórios e sanitários aos dois já existentes nos pontos de fronteira para minimizar o tráfego de e para a capital do departamento homônimo.

Além disso, suspendeu-se o início das aulas na cidade, programado para os dias 1 e 15 de junho, e ordenou-se um aumento dos recursos de saúde, como ambulâncias e leitos de terapia intensiva.

Também informou que serão feitas inspeções em lojas locais, e a realização de 1.100 testes aleatórios na cidade para dimensionar a quantidade de infectados.

* Com informações da AFP

Coronavírus