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Internacional

George Floyd é enterrado como símbolo da luta mundial contra racismo

Mulher chora enquanto carruagem carrega caixão com corpo de George Floyd em Houston, no Texas - CARLOS BARRIA/REUTERS
Mulher chora enquanto carruagem carrega caixão com corpo de George Floyd em Houston, no Texas Imagem: CARLOS BARRIA/REUTERS

Gabriela Sá Pessoa

Do UOL, em São Paulo

10/06/2020 01h30

George Floyd foi enterrado ontem na cidade onde cresceu — Houston, no Texas — com uma comoção comparável à provocada pela morte de grandes líderes pelos direitos civis nos EUA, como Martin Luther King.

A data, 9 de junho, entrou no calendário oficial de Houston como o "Dia George Floyd", anunciou o prefeito da cidade.

Vestindo máscaras de proteção contra o coronavírus, algumas estampadas com frases de protesto como "vidas negras importam", milhares de pessoas prestaram homenagem nos últimos três dias ao ex-segurança assassinado há duas semanas por asfixia por um policial branco na cidade de Minneapolis. Só na segunda-feira (8), 6.000 pessoas estiveram no memorial.

Políticos, como o candidato democrata à Presidência Joe Biden, e ativistas estiveram no funeral. O ex-presidente Barack Obama telefonou para a família de Floyd e foi citado pelo reverendo durante a cerimônia religiosa.

Familiares de outros negros vítimas de violência policial estiveram no memorial. Brooke Williams, sobrinha de Floyd, disse que lutará por justiça para o tio "enquanto respirar" e cutucou o lema de campanha do presidente Donald Trump: "Chega de crimes de ódio, por favor. Alguém disse 'torne a América ótima novamente', mas quando a América já foi ótima?".

Enquanto a onda de protestos antirracistas se espalha pelo mundo, países reveem a permanência de símbolos e instituições que aludem à escravidão e ao racismo em suas cidades.

Mais de 180 mil americanos assinaram um abaixo-assinado pedindo que a Ku Klux Klan seja considerada uma organização terrorista. Grupo de ódio mais antigo e famoso nos Estados Unidos, a KKK prega a supremacia branca e tem como alvo pessoas de outras raças, minorias religiosas e a comunidade LGBT.

Na terça-feira, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse que a cidade irá revisar todas os monumentos da cidade e tem a intenção de remover os que foram erguidos para homenagear donos e traficantes de escravos. Horas depois, uma estátua de Robert Milligan, traficante de escravos do século 18, foi removida do pedestal que ocupava diante de um museu. Manifestantes já tinham coberto o monumento com tecidos e placas dizendo "black lives matter" (vidas negras importam).

No final de semana, manifestantes derrubaram uma estátua de um mercador de escravos e a atiraram em um rio, em Bristol — o que desencadeou uma série de discussões sobre replicar o gesto em outros locais. A prefeitura de uma cidade belga retirou ontem para restauração uma estátua do rei Leopoldo 2º, associado ao passado escravagista do país. O monumento tinha sido vandalizado.

No Brasil, as redes sociais registraram discussões nos últimos dias sobre fazer o mesmo, por exemplo, com a estátua do bandeirante Borba Gato, em São Paulo.

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