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Procurador da Lava Jato do Peru pede prisão preventiva de Keiko Fujimori

Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, disputa a Presidência do Peru contra o professor socialista Pedro Castillo - Sebastian Castaneda/Reuters
Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, disputa a Presidência do Peru contra o professor socialista Pedro Castillo Imagem: Sebastian Castaneda/Reuters

Do UOL, em São Paulo *

10/06/2021 11h56Atualizada em 10/06/2021 13h02

O procurador José Domingo Pérez, integrante da força-tarefa da Lava Jato do Peru, pediu hoje a prisão preventiva de Keiko Fujimori, candidata ao posto de presidente do país, argumentando que a conservadora não está cumprindo com a liberdade condicional.

O procurador argumentou que Keiko, que disputa a Presidência do Peru contra o professor socialista Pedro Castillo, violou a liberdade condicional ao se reunir e se comunicar com testemunhas e investigados no âmbito do Caso Odebrecht.

Keiko, que é filha do ex-presidente de extrema-direita Alberto Fujimori, que governou o Peru durante a década de 1990 e está preso, é acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empreiteira Odebrecht para financiar campanhas políticas em 2011 e 2016.

Ontem, Keiko se reuniu, em um encontro transmitido pela internet, com o ex-congressista peruano Miguel Torres, testemunha do caso. Na ocasião, o político se apresentou como porta-voz e advogado do Força Popular, partido da família nipo-peruana.

A partir de outubro de 2018, Keiko ficou presa preventivamente por 13 meses pelo caso. Em novembro de 2019, a política peruana foi posta em liberdade depois que a Justiça lhe concedeu um habeas corpus.

Em março, Pérez chegou a pedir 30 anos de prisão para Keiko devido ao caso envolvendo a empreiteira brasileira. O procurador também pediu que o Força Popular fosse dissolvido caso a filha de Alberto acabasse condenada na Justiça.

Em maio, em virtude da liberdade condicional, a Justiça peruana impediu que Keiko viajasse para o Equador para comparecer a um encontro político para a qual foi convidada pelo prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa, que a apoia contra Castillo.

Disputa acirrada

Ontem, Keiko entrou com uma ação judicial solicitando a anulação de 200 mil votos na disputa contra Castillo. A candidata conservadora tem falado em supostas "irregularidades" e "indícios de fraude" no pleito.

Mais cedo, Castillo, mesmo sem a confirmação da Justiça Eleitoral, já se apresentou como vencedor das eleições e foi cumprimentado pelo ex-presidente boliviano Evo Morales. "Seremos um governo respeitoso da democracia", disse o professor à noite.

No último domingo (6), quando a contagem dos votos começou no Peru, Keiko apareceu liderando a disputa, mas foi superada por Castillo conforme a apuração foi chegando nas áreas rurais do país, onde o socialista é mais forte politicamente.

Pela última atualização dos resultados, Castillo lidera a disputa com 50,21% dos votos válidos, enquanto Keiko possui 49,79%. 99,14% das atas eleitorais já foram contabilizados pelo órgão responsável pela apuração, e a diferença entre os candidatos é de apenas 71,5 mil votos.

O novo presidente tomará posse em 28 de julho e comandará um país em crise, que teve quatro chefes de Estado desde 2018 e que registra a maior taxa de mortalidade do mundo pela pandemia, com mais de 185 mil mortes em uma população de 33 milhões de habitantes.

* Com informações da AFP, em Lima (Peru)

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