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3 meses

Rússia anuncia manobras navais em meio a fortes tensões com Ocidente

Imagem de arquivo da bandeira da Rússia; país vive momento de tensão com o Ocidente - Reprodução
Imagem de arquivo da bandeira da Rússia; país vive momento de tensão com o Ocidente Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo*

20/01/2022 09h30Atualizada em 20/01/2022 17h25

A Rússia anunciou hoje que fará exercícios navais em janeiro e fevereiro no Atlântico, Ártico, Pacífico e Mediterrâneo, num contexto de fortes tensões com o Ocidente em razão do conflito com a Ucrânia, Moscou também informou que irá realizar manobras navais conjuntas com as marinhas do Irã e a China, a partir de amanhã.

Com dezenas de milhares de soldados russos na fronteira ucraniana, crescem os temores de um conflito aberto. Apesar disso, Moscou insiste que não quer invadir a Ucrânia e justifica o deslocamento de tropas pela suposta ameaça representada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Antes das negociações, o país liderado por Vladimir Putin apresentou exigências, incluindo um veto à adesão da Ucrânia à aliança militar transatlântica.

"No total, mais de 140 navios de guerra e de apoio, mais de 60 aviões, mil elementos de equipamento militar e cerca de 10 mil militares vão fazer parte" desses exercícios, informou o ministério da Defesa russo, citado pelas agências de notícia do país.

Segundo o ministério, esses exercícios ocorrerão em "águas e mares adjacentes ao território russo" e em "zonas de importância operacional nos oceanos do mundo".

"Exercícios separados serão realizados nas águas do Mediterrâneo, no Mar do Norte, no Mar de Okhotsk, na parte nordeste do Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico", acrescentou.

Segundo esta fonte, estes exercícios em grande escala serão organizados "de acordo com o plano de treinamento das Forças Armadas russas para 2022".

"O principal objetivo é colocar em prática o envio de forças navais, aéreas e espaciais para proteger os interesses nacionais russos nos oceanos do mundo e combater as ameaças militares à Rússia nos mares e oceanos", disse o ministério.

Manobras navais com Irã e a China

Em um contexto de crescentes tensões com os ocidentais por temores de uma invasão russa da Ucrânia, Moscou também informou hoje que irá realizar manobras navais conjuntas com as marinhas do Irã e a China, a partir de amanhã.

As manobras navais conjuntas deverão ocorrer águas do norte do Oceano Índico e devem durar três dias, segundo a agência de notícias russa TASS.

"Os exercícios vão praticar várias manobras, nomeadamente, resgatar um navio varrido pelo fogo, libertar uma embarcação capturada e disparar contra alvos. Os exercícios visam reforçar a segurança das rotas marítimas internacionais, combater a pirataria e o terrorismo marítimo e trocar experiências", informou a agência.

Segundo uma autoridade da Marinha iraniana, o objetivo em particular das manobras é fortalecer a "segurança comum".

O presidente iraniano Ebrahim Raisi está atualmente em Moscou para uma visita oficial durante a qual disse estar determinado a fortalecer as relações com a Rússia.

"Exercícios de três dias com a participação de onze unidades navais do Exército do Irã, três unidades da Marinha da Guarda Revolucionária (exército ideológico da República Islâmica), três unidades da Rússia e duas unidades da China começarão amanhã (sexta-feira) no norte do Oceano Índico em uma área de 17.000 km2", disse o almirante Mostafa Tajeddini à televisão estatal.

"Melhorar a capacidade de combate e a prontidão, fortalecer os laços militares entre a Marinha iraniana e a China e a Rússia, garantir a segurança comum e combater o terrorismo marítimo estão entre os principais objetivos desses exercícios", afirmou.

EUA ameaça e Rússia reage

O presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou ontem que a Rússia pagará um alto preço em caso de invasão da Ucrânia, incluindo um alto custo humano e danos profundos à sua economia.

"Será um desastre para a Rússia", disse Biden, acrescentando que os russos podem eventualmente prevalecer, mas suas perdas "serão grandes".

Os Estados Unidos ainda anunciaram uma ajuda adicional de US$ 200 milhões para a Ucrânia, diante da alegada ameaça de uma invasão da Rússia, e deram seu aval aos pedidos dos países bálticos para enviar armas de fabricação norte-americana para a Ucrânia.

Hoje, a Rússia denunciou e classificou os comentários de Joe Biden como "desestabilizadores", no momento em que o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, busca em Berlim apoio dos europeus contra Moscou.

A reação do Kremlin veio depois que o presidente dos Estados Unidos disse que Moscou pagaria um alto preço se invadisse a Ucrânia, incluindo perda de vidas e duras sanções à sua economia.

Para o Kremlin, essas declarações "podem contribuir para desestabilizar a situação" e "levantar esperanças totalmente falsas" entre algumas autoridades ucranianas, segundo o porta-voz, Dmitri Peskov.

Na capital alemã, Blinken iniciou reuniões com seus colegas da França e Alemanha e com a secretária de Relações Exteriores britânica, antes de negociações cruciais com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, em Genebra, na sexta-feira.

Ontem, o secretário de Estado esteve em Kiev para mostrar seu apoio à Ucrânia e instou o presidente russo, Vladimir Putin, a permanecer na "via diplomática e pacífica".

O conflito

No Mar Negro, as tensões aumentaram nos últimos anos. Moscou acusa a Ucrânia e os ocidentais de ameaçar sua segurança na costa da península da Crimeia, anexada pela Rússia.

Em junho de 2021, a frota russa disparou tiros de advertência contra um destróier britânico naquele local.

A Rússia também começou esta semana a enviar soldados para Belarus para exercícios de prontidão nas fronteiras da União Europeia (UE) e da Ucrânia.

Nos últimos meses, a Rússia concentrou dezenas de milhares de soldados nas fronteiras com a Ucrânia.

Já os exercícios com o Irã e a China, com duração de três dias, vão começar na sexta-feira (21) no Oceano Índico, com o objetivo em particular de fortalecer a "segurança comum", segundo informou uma autoridade da Marinha iraniana.

*Com informações da AFP

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