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2 meses

Cidade de 3,4 mil anos emerge do Rio Tigre após seca extrema no Iraque

Vista aérea das escavações no Curdistão, com ruínas de uma cidade da Idade do Bronze parcialmente submersa - Divulgação/Universidade de Tübingen
Vista aérea das escavações no Curdistão, com ruínas de uma cidade da Idade do Bronze parcialmente submersa Imagem: Divulgação/Universidade de Tübingen

Colaboração para o UOL

31/05/2022 17h09

Uma seca extrema que castigou o Iraque fez com que a cidade perdida de Zakhiku ressurgisse após passar décadas debaixo d'água no reservatório de Mossul, no Rio Tigre, no Iraque.

A descoberta foi divulgada nesta segunda-feira (30), por uma equipe da Universidade de Tübingen, na Alemanha. O assentamento de 3.400 anos surgiu no início deste ano, após um período de meses de seca extrema no país que resultou na retirada de grandes quantidades de água do reservatório para irrigar as lavouras, causando a queda dos níveis de água.

Isso resultou na exposição de edifícios antigos da cidade, incluindo uma enorme fortificação, um prédio de armazenamento de vários andares e um complexo industrial, todos datados de 3.400 anos à época do Império de Mittani (1550-1350 A.C.).

Arqueólogos pesquisam em ruínas do período Mittani que ressurgiram no Iraque - Divulgação/Universidade de Tübingen - Divulgação/Universidade de Tübingen
Arqueólogos pesquisam em ruínas do período Mittani que ressurgiram no Iraque
Imagem: Divulgação/Universidade de Tübingen

Uma equipe de arqueólogos alemães e curdos escavou pela primeira vez a cidade da era do Império Mittani durante um período de seca em 2018, mas não conseguiu investigar completamente as ruínas antes que a cidade ficasse submersa novamente.

Localizada em Kemune, na região do Curdistão do Iraque, Zakhiku data da Idade do Bronze, época do Império de Mittani, aproximadamente entre 1550-1350 A.C., e que controlava grande parte do norte da Mesopotâmia e da Síria. Ela havia sido submersa há décadas. Entre janeiro e fevereiro de 2022, os pesquisadores tentaram escavá-la ao menos em partes antes que a cidade pudesse ser coberta pelas águas novamente.

A escavação foi liderada pelo presidente da Organização de Arqueologia do Curdistão, Hasan Ahmed Qasim; Ivana Puljiz, da Universidade de Freiburg; e Peter Pfälzner, da Universidade de Tübingen.

As muralhas do forte, algumas das quais com vários metros de altura, estavam extremamente bem conservadas apesar de terem sido mantidas debaixo da água durante mais de 40 anos

A condição de conservação das paredes, feitas de tijolos de barro secos ao sol, deve-se ao fato de o edifício ter sido coberto por uma camada protetora de entulho durante o terremoto que destruiu a cidade em 1350 A.C..

"O edifício é de particular importância porque enormes quantidades de mercadorias devem ter sido armazenadas nele, provavelmente trazidas de toda a região", afirmou Puljiz ao tabloide britânico Daily Mail

"Os resultados da escavação mostram que o local era um importante centro do Império Mittani", acrescentou Hasan Qasim.

Tabuletas cuneiformes em jarros

Cinco jarros de cerâmica foram descobertos pelos pesquisadores. Eles continham mais de 100 tabuletas cuneiformes, que datam do período assírio médio. Algumas tabuinhas de barro, que podem ser cartas, foram encontradas ainda em seus envelopes de barro e estão sendo traduzidas.

Arqueólogos descobriram vasos de cerâmica com tabuletas cuneiformes, que podem ter sido usadas como cartas  - Divulgação/Universidade de Tübingen - Divulgação/Universidade de Tübingen
Arqueólogos descobriram vasos de cerâmica com tabuletas cuneiformes, que podem ter sido usadas como cartas
Imagem: Divulgação/Universidade de Tübingen

Os arqueólogos esperam fornecer informações importantes sobre o fim da cidade do período Mittani e o início do domínio assírio na região, incluindo política, economia e história.

"É quase um milagre que tabletes cuneiformes feitos de argila crua tenham sobrevivido tantas décadas debaixo d'água", disse Pfälzner.

O palácio tinha paredes internas de até 2 metros de espessura, bem como estruturas rebocadas e murais pintados de cores vivas. Tijolos queimados usados como lajes de piso e tabuletas de argila inscritas também foram recuperados.

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