PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Conteúdo publicado há
1 mês

Calor de 40ºC e 50 mortes: o que se sabe do caminhão com migrantes no Texas

Caminhão foi encontrado em San Antonio, no Texas (EUA) - Jordan Vonderhaar / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
Caminhão foi encontrado em San Antonio, no Texas (EUA) Imagem: Jordan Vonderhaar / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Do UOL, em São Paulo

28/06/2022 12h09Atualizada em 28/06/2022 12h09

Mais de 40 imigrantes foram encontrados mortos em um caminhão abandonado nos arredores da cidade de San Antonio, no Texas, nos Estados Unidos, no início da noite de ontem. O veículo estava próximo aos trilhos de uma ferrovia, em uma área remota da periferia da cidade.

O número de mortos divulgado ontem havia sido de 46. No entanto, nesta manhã, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, informou que, ao todo, 50 pessoas morreram, adicionando quatro novos óbitos de pessoas socorridas no local.

De acordo com o site americano NBC News, 16 pessoas foram hospitalizadas por insolação e exaustão. Entre elas, estavam quatro crianças.

O chefe de polícia de San Antonio, William McManus, descreveu o caso como o incidente de "contrabando humano mais mortal da cidade".

Ainda não se sabe como as pessoas chegaram até ali e o que ocasionou a morte delas, mas três pessoas já foram detidas como parte da investigação sobre o caso. Veja o que se sabe até agora.

O caminhão

A descoberta do caminhão ocorreu na tarde de ontem. O veículo foi encontrado em uma estrada perto da rodovia I-35, uma rota que cruza os Estados Unidos de norte a sul, desde a fronteira do México até a do Canadá.

Uma pessoa que trabalha na área relatou ter ouvido um pedido de ajuda e viu pelo menos um corpo. As autoridades foram acionadas por volta das 17h50 do horário local.

O caminhão foi encontrado com as portas parcialmente abertas. As equipes constataram que o veículo não tinha ar condicionado e nem água potável.

A cidade em que ele foi localizado, San Antonio, está a cerca de 250 km da fronteira entre México e Estados Unidos. No dia do incidente, a temperatura registrada era de 39,5ºC, uma alta decorrente da recente onda de calor que afetou o país americano.

Segundo o chefe dos bombeiros, Charles Hood, os quase 60 profissionais que foram enviados ao local devem receber apoio psicológico após o incidente. "Não estamos preparados para abrir um caminhão e ver diversos corpos lá", explicou.

As vítimas

De acordo com o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, o incidente teve até agora 50 mortes. Anteriormente, a imprensa americana informava que haviam sido contabilizadas.

Ainda segundo Obrador, dentre os mortos, 22 eram mexicanos, sete da Guatemala e dois de Honduras. As outras 19 vítimas ainda não tiveram a nacionalidade revelada.

Não há registro de crianças entre os mortos e ainda não se sabe exatamente o que causou a morte em massa, embora há suspeita de que o calor tenha influenciado.

As autoridades também informaram que 16 pessoas sobreviveram — entre elas, 4 crianças. O grupo foi encaminhado ao hospital. Até agora, sabe-se que dois deles são da Guatemala, segundo o ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard.

Manifestações políticas

Após o episódio, o secretário de Segurança Interna dos EUA, Alejandro Mayorkas, disse que "os traficantes de seres humanos são indivíduos insensíveis que não respeitam as pessoas vulneráveis que exploram e as colocam em risco para obter lucro".

O governador republicano do Texas, Greg Abbott, culpou o presidente dos EUA, Joe Biden, pelas mortes, descrevendo-as como "resultado de suas políticas letais de fronteira aberta".

Já Beto O'Rourke, o candidato democrata que concorre contra Abbott, pediu medidas urgentes para "desmantelar as redes de contrabando de seres humanos e substituí-las por vias expandidas para a migração legal".

Aaron Reichlin-Melnick, diretor de políticas do Conselho de Imigração Americano, disse que "temia" que uma tragédia como essa ocorresse há meses. "Com a fronteira tão fechada para os migrantes do México, Guatemala, Honduras e El Salvador, as pessoas foram empurradas para rotas cada vez mais perigosas", disse ele.

"O contrabando de caminhões é muito perigoso. Há a possibilidade de dar terrivelmente errado. E quando sua prática aumenta, a possibilidade de incidentes de morte em massa também aumenta".

O diretor ainda citou o caso de julho de 2017, quando 10 migrantes foram encontrados mortos em um caminhão em um estacionamento na mesma cidade, San Antonio.

"Este incidente é o pior nos EUA desde que 10 pessoas morreram em um caminhão em 2017", afirmou ele. Na ocasião, dezenas de pessoas foram hospitalizadas por insolação e desidratação, embora se acredite que o caminhão transportasse até 200 pessoas - a maioria fugiu quando o veículo parou em um estacionamento.

Em maio, um recorde de 239 mil imigrantes indocumentados foram detidos entrando no país vindos do México.

Prisão de três suspeitos

Após o incidente, três pessoas foram detidas. Ainda não se sabe a relação delas com o caso e as identidades não foram divulgadas.

A investigação foi repassada ao DHS (Departamento de Segurança Interna), que anunciou em um comunicado o início de uma ação contra "um suposto tráfico de pessoas."

Internacional