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Em áudios, líder nazista demonstra indiferença com judeus em Auschwitz

O passaporte falso com que o nazista Adolf Eichmann entrou na Argentina em 1950 - AFP
O passaporte falso com que o nazista Adolf Eichmann entrou na Argentina em 1950 Imagem: AFP

Do UOL, em São Paulo

04/07/2022 21h02

60 anos após a morte do nazista Adolf Eichmann, um dos principais funcionários de Adolf Hitler, uma série documental obteve áudios em que é possível escutar Eichmann descrever nas próprias palavras os horrores por trás do Holocausto, que assassinou seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. As informações são do The New York Times.

A série "The Devil's Confession: The Lost Eichmann Tapes" (Confissões do diabo: As gravações perdidas de Eichmann, em tradução livre) é baseada nas gravações, que foram feitas enquanto Eichmann estava escondido na Argentina. A ideia de registrar as conversas partiu do nazista e de um jornalista holandês, que tinha intenção de escrever um livro após a morte do funcionário de Hitler.

Em um dos trechos, é possível ouvir Eichmann dizendo que "não dava a mínima" se os judeus enviados a Auschwitz, campo de concentração e extermínio na Polônia, viviam ou morriam e que deu ordens para que os judeus "aptos a trabalhar" fossem destinados a essa tarefa, enquanto os "não aptos" deveriam ser "mandados para a Solução Final", ou seja, enviados para a execução.

As fitas ficaram escondidas e foram proibidas de serem tocadas durante o julgamento de Eichmann, que ocorreu em Israel após ele ser localizado pela Mossad (Serviço Secreto de Israel) quando estava na Argentina, em 1960.

Durante seu julgamento, o nazista frequentemente discordava de ter dito o conteúdo do que estaria nas gravações —como as fitas não podiam ser tocadas, eram apresentadas somente transcrições. Eichmann falou também que não passava de um trabalhador sem importância no regime alemão.

Apesar disso, há uma gravação em que o funcionário de Hitler afirmou "não haver nada pior do que uma pessoa que faz algo e depois nega o que fez", além de ter revelado ordens que ele mesmo teria dado.

O diretor da série documental é Yariv Mozer, neto de sobreviventes do Holocausto. Ele afirmou que o objetivo é apresentar provas "contra negacionistas do Holocausto e uma maneira de ver a cara real de Eichmann".

Em 1961, o funcionário de Hitler foi considerado culpado por crimes de guerra e condenado à morte no ano seguinte.

O nazismo tem raízes na Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, e marcou o período de 1933 a 1945 na Alemanha sob o comando de Adolf Hitler, que se apoiou nesses ideias ao travar a Segunda Guerra Mundial.

O regime se apoia em um governo totalitarista, antissemita e eugenista, movimento que defendia que o povo alemão era geneticamente mais evoluído que os outros seres humanos.

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