Lula passa presidência do Mercosul para Santiago Peña, do Paraguai

O presidente Lula (PT) transferiu hoje o comando rotatório do Mercosul para o paraguaio Santiago Peña.

O que aconteceu

Ato formal de transferência aconteceu durante a cúpula do Mercosul realizada desde cedo no Rio de Janeiro.

Lula disse acreditar na integração mesmo com mudanças políticas nos países latinos: "Acredito sinceramente na integração da América Latina. Não tem problema que troque de presidente a cada quatro anos, que tenha um mais à direita, um mais à esquerda, um mais favorável, um mais contra... um dia, a gente vai encontrar um denominador comum".

Na cúpula, iniciada na manhã desta quinta (7), também houve a integração da Bolívia como novo membro do bloco. A entrada da Bolívia, país rico em gás e com grandes reservas de lítio, expande as fronteiras geográficas e econômicas do Mercosul, que atualmente compreende 62% da população sul-americana e 67% do seu PIB.

Um acordo do Mercosul com Singapura também foi anunciado hoje. O Acordo de Livre Comércio entre o bloco do Cone Sul e Singapura é o primeiro dessa natureza firmado com parceiro da região da Ásia-Pacífico. A negociação foi concluída durante a presidência temporária do Brasil no bloco.

"O Acordo Mercosul-Singapura abre oportunidades comerciais e de investimentos, ao mesmo tempo em que salvaguarda o espaço para a formulação de políticas de interesse público. [...] Entre outros temas, o acordo possui compromissos em matéria de comércio de bens e serviços, investimentos, micro e pequenas empresas, compras governamentais, propriedade intelectual e medidas sanitárias e fitossanitárias", diz nota do Ministério das Relações Exteriores.

No entanto, o encontro também teve um tom de lamentação pela não conclusão do acordo comercial com a União Europeia. Para Lula, os europeus foram os responsáveis pelo fracasso da finalização do acordo. "A resistência da Europa é muito grande. Estranho a falta de flexibilidade deles", disse o presidente.

Além disso, Lula afirmou hoje que o Mercosul "não pode ficar alheio" à tentativa da Venezuela de anexar o território de Essequibo, na Guiana, e precisa evitar uma guerra. "Não queremos que esse tema contamine a retomada do processo de reintegração regional ou constitua ameaça à paz e à estabilidade", declarou.

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