Quer a cidadania da Dinamarca? Então faça teste difícil até para dinamarqueses

Dan Bilefsky

Em Londres

  • Ilvy Njiokiktjien/The New York Times

    Clientes frequentam restaurante em Copenhague, Dinamarca

    Clientes frequentam restaurante em Copenhague, Dinamarca

Que restaurante dinamarquês ganhou uma terceira estrela Michelin em fevereiro de 2016?

Quantas municipalidades existem na Dinamarca?

Em que constelação o astrônomo dinamarquês do século 16, Tycho Brahe, descobriu uma nova estrela?

Perguntas como essas fazem parte de um novo teste de cidadania dinamarquês, tão difícil que mais de dois terços dos candidatos que o fizeram pela primeira vez, em junho, fracassaram, confirmou nesta semana o Ministério da Integração.

O governo de centro-direita do primeiro-ministro Lars Lokke Rasmussen, que vem endurecendo as regras de imigração, não faz esforço para esconder a meta do novo teste: tornar significativamente mais difícil se tornar dinamarquês, enquanto a Europa luta para lidar com a crise dos refugiados.

Mas os críticos do teste, que inclui 40 perguntas cobrindo assuntos como cinema dinamarquês, funcionamento do governo local e, é claro, os vikings, dizem que ele é tão difícil que até mesmo muitos dinamarqueses terão dificuldade de passar.

A "Rádio Dinamarquesa" fez recentemente ao conhecido ator Morten Grunwald uma pergunta do teste: quando foi a estreia do primeiro filme sobre a Gangue Olsen, um sindicato do crime fictício? Grunwald, um dos astros do filme, responde: "Nem mesmo eu sei dizer isso". Sua memória foi estimulada quando lhe deram as opções: 1968, 1970 ou 1971. (Foi em 1968.)

Jakob Nielsen, o editor da edição online do "Politiken", um influente jornal de inclinação de esquerda, disse que a proximidade dos anos oferecidos em algumas das perguntas de múltipla escolha parece calculada para confundir aqueles que realizam o teste. Por exemplo, uma questão pergunta sobre se a duração da vida do compositor dinamarquês Carl Nielsen foi 1865 a 1931, 1870 a 1940 ou 1892 a 1965? (A primeira é a correta.)

Ele disse que quando a "Politiken" postou o teste online, muitos dos leitores fracassaram. "Não há dúvida de que o teste visa desencorajar os imigrantes de virem para cá", ele disse. "Algumas das perguntas são simplesmente ridículas e muitos dinamarqueses não conseguiriam respondê-las."

Mas ele acrescentou que os candidatos recebem material preparatório gratuito que cobre o conteúdo do teste, e que os aspirantes a cidadãos dinamarqueses que forem determinados o bastante podem ter sucesso.

Inger Stojberg, a ministra da Integração, confirmou que 68,8% das 2.400 pessoas que fizeram o teste em junho fracassaram. Mas ela defende a dificuldade do teste, dizendo à "Politiken" que ser dinamarquês é "muito especial" e que "cidadania é algo que você tem que fazer por merecer".

"Muitos não se prepararam apropriadamente", ela disse.

O novo teste surge quando o governo dinamarquês tem reprimido a imigração, até mesmo introduzindo uma nova lei que exige que os refugiados recém-chegados entreguem bens de valor, como ouro ou joias, para ajudar a pagar pelos custos de alojá-los.

O teste substituiu uma versão introduzida pelo governo anterior de centro-esquerda em 2014, e críticos como Nielsen dizem que é inegavelmente mais difícil. Os candidatos agora precisam acertar no mínimo 80% para passar, em comparação a 73% no teste anterior.

Mesmo sem o teste de cidadania, as exigências para obtenção da cidadania dinamarquesa são árduas e incluem a aprovação em um teste oral e por escrito em dinamarquês, uma língua complicada com abundância de sons de vogais, que os linguistas dizem que a torna difícil de aprender. Os candidatos também precisam provar que puderam se sustentar sozinhos financeiramente por 4 anos e meio dos últimos 5 anos.

Na Dinamarca, como em vários países europeus, um partido populista de extrema direita está atraindo eleitores com alertas contra os perigos da imigração. O Partido do Povo Dinamarquês é um defensor central do teste mais difícil de cidadania. O governo de centro-direita de Rasmussen não conta com maioria no Parlamento e com frequência precisa do apoio de legisladores do Partido do Povo para aprovação de legislação.

Com seu generoso Estado de bem-estar social, forte tradição de igualitarismo e a qualidade de vida escandinava, a Dinamarca é um país atraente para muitos estrangeiros. O país foi classificado recentemente como o mais feliz do mundo pela terceira vez desde 2013.

Quanto às perguntas no início deste artigo, o Geranium, em Copenhague, foi o restaurante que recebeu três estrelas; são 98 municipalidades; e a constelação é Cassiopeia.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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