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Desmatamento da Amazônia cai no trimestre, mas sobe em março antes de cúpula de Biden

Desmatamento da Amazônia (em foto de julho de 2020 da ONG WWF) é um dos mais temidos gatilhos para novas pandemias no futuro - PA Media
Desmatamento da Amazônia (em foto de julho de 2020 da ONG WWF) é um dos mais temidos gatilhos para novas pandemias no futuro Imagem: PA Media

Jake Spring

09/04/2021 18h44

BRASÍLIA (Reuters) - O desmatamento na Floresta Amazônica brasileira caiu no primeiro trimestre, mostraram dados preliminares do governo, mas a queda pode ser devido principalmente à cobertura mais intensa de nuvens este ano, e especialistas apontam para um salto preocupante na destruição de março.

A destruição da floresta tropical tem aumentado desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro de 2019, enfraquecendo a fiscalização ambiental e defendendo o desenvolvimento da Amazônia.

Dados anuais oficiais —sob intenso escrutínio no momento em que o governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, diz que espera trabalhar com o Brasil para reduzir o desmatamento— mostram que o desmatamento atingiu a maior alta em 12 anos em 2020.

Mas o governo afirma que os dados mensais recentes apontam que uma dispendiosa ação militar lançada no final de 2019 para controlar queimadas e desmatamento está finalmente dando resultados.

Bolsonaro foi convidado para a cúpula do Dia da Terra de Biden em 22 de abril com líderes mundiais, enquanto os dois lados tentam negociar um acordo para proteger a Amazônia. Biden disse no ano passado que o mundo deveria mobilizar 20 bilhões de dólares em doação ao Brasil para impedir o desmatamento, ameaçando consequências econômicas não especificadas se o Brasil não fosse bem-sucedido.

Cerca de 576 quilômetros quadrados foram destruídos nos primeiros três meses, uma queda de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Mas a cobertura de nuvens, que pode obscurecer o desmatamento nas imagens de satélite, foi de 44-49% nos primeiros três meses do ano, maior do que 17-32% no ano passado.

Um especialista do governo, falando sob condição de anonimato por temor de consequências profissionais, disse que janeiro e fevereiro não são um sinal confiável do estado do desmatamento, pois apresentam baixos níveis de desmatamento em comparação com os meses de pico, de maio a outubro, e são altamente voláteis.

Mas um aumento de 12,4% no desmatamento em março é motivo de preocupação e as tendências ficarão mais claras quando os dados de abril estiverem disponíveis, segundo o especialista.

O desmatamento que foi obscurecido por nuvens será detectado nos meses seguintes, quando a estação das chuvas começar a diminuir.

O aumento do desmatamento em março deve servir como um sinal de alerta para o governo Biden não fazer um acordo com Bolsonaro, disse Cristiane Mazzetti, ativista florestal do Greenpeace Brasil.

"O que já é ruim pode piorar", disse ela. "O dado de março é mais um motivo para que o governo Biden não assine um cheque em branco com o governo de Bolsonaro."

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