Na China, o queijo é visto com estranheza mas a pizza faz sucesso

Javier C. Hernández

Em Pequim

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A China pode ser o lugar mais difícil do mundo para se vender queijo, mas Liu Yang está tentando de qualquer forma -- e o fast food ocidental pode ser sua salvação.

A dieta principal chinesa não incluiu laticínios por séculos -- nem manteiga, nem leite, nem queijo nem nada. Estima-se que 90% da população seja intolerante à lactose. Então quando Liu abriu uma pequena queijaria no subúrbio de Pequim cinco anos atrás, ele lembra que as pessoas diziam: "Que coisa fedida e estranha é essa? Como devo cozinhar? Como devo comer isso?"

A oferta de brousse, crottin, Camembert e tomme no começo confundia os clientes chineses, ainda que a prosperidade estivesse criando demanda por outros luxos europeus. Liu hoje vende cerca de 15 kg de queijo por dia em sua lojinha, e ele espera vender mais à medida que mais chineses passem a se familiarizar com o produto.

Isso já está acontecendo, ainda que através de outros meios: um apetite crescente por fast food em estilo americano. O chinês urbano médio consome esse tipo de comida pelo menos uma vez por semana, segundo uma estimativa. A Pizza Hut está abrindo lojas no continente a um ritmo de uma por dia, aproximadamente.

E, claro, pizza contém queijo.

Theo Spierings, CEO da Fonterra, uma grande produtora de laticínios da Nova Zelândia, disse que a popularidade da pizza estava aumentando a demanda por queijo em toda a Ásia. Os supermercados das grandes cidades estão começando a expor pedaços de queijo nas prateleiras. E as importações de queijo da China aumentaram 70% entre 2009 e 2014, de acordo com a Mintel, uma empresa de pesquisa de mercado.

Líderes chineses chegaram a considerar o queijo bárbaro demais para a dieta nacional. Esse estigma não existe mais, mas para muitos compradores ainda resta um: "Tenho medo de engordar", diz Zhao Lin (32) que vive em Pequim. "Não é nem um pouco saudável."

 

Tradutor: UOL

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