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"Vivo o pior momento da minha vida e pensei em renunciar", diz Demóstenes no Conselho de Ética

Demóstenes Torres (o quarto a partir da esquerda) depõe no Conselho de Ética do Senado, em Brasília - Wilson Dias/ABr
Demóstenes Torres (o quarto a partir da esquerda) depõe no Conselho de Ética do Senado, em Brasília Imagem: Wilson Dias/ABr

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

29/05/2012 10h28

"Vivo o pior momento da minha vida. Pensei nas piores coisas, pensei em renunciar." Com essa declaração o senador Demóstenes Torres (sem partido, ex-DEM-GO) iniciou seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, onde responde a processo por quebra de decoro parlamentar. 

Sem citar o nome do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Demóstenes disse que era amigo dele, porém negou que soubesse de qualquer atividade ilegal. "O que eu sabia naquele momento é que eu me relacionava com um empresário, que se relacionava com outros cinco governadores, dezenas de parlamentares, dezenas de outros empresários. Reafirmo que tinha amizade com ele, sim", completou.

Uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista investiga a relação de Cachoeira com parlamentares e outros agentes públicos.

O senador também afirmou que sofre de depressão desde o início da crise que envolve seu nome. Segundo Demóstenes, nem os remédios que toma para dormir estão fazendo efeito.

Como adiantou o advogado do senador, Antônio Carlos de Almeida Castro, Demóstenes começou o depoimento falando de seu patrimônio e de sua trajetória política. 

O conselho é presidido pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) e tem como relator o senador Humberto Costa (PT-PE), que declarou ter pelo menos cem perguntas para fazer. 

Demóstenes é acusado de mentir aos colegas por ter negado na tribuna que tinha relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e busca provar que desconhecia os negócios do amigo. Devido às acusações, ele deixou seu partido, o Democratas, para não ser expulso.

A operação Monte Carlo, da Polícia Federal, levantou informações que colocam Demóstenes como braço político dos negócios de Cachoeira, também apontado como sócio oculto da construtora Delta na mesma investigação.

 

Entenda as suspeitas envolvendo Demóstenes Torres

Demóstenes foi chamado para falar na CPI na quinta-feira (31). Ainda hoje, na parte da tarde, a CPI deve decidir sobre dois temas que geram divergências entre os parlamentares: a possível convocação de três governadores envolvidos nas denúncias de Cachoeira e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico relacionados á direção nacional da Delta Construções.

Os governadores em questão são Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF). O assunto só seria analisado no dia 5 de junho, mas diante da pressão de alguns dos integrantes da comissão, o presidente Vital do Rêgo (PMDB-PB) antecipou a decisão para hoje.

As escolhas de Demóstenes

OPÇÕES PRÓ CONTRA
Renunciar ao mandatoSai do foco político, o que pode aliviar as enxurrada de denúncias contra elePode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa, perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás
Perder o mandato por infidelidade partidáriaSai do foco político, mas mantém a imagem de ter lutado por seu cargo até o final. Neste caso, não é enquadrado na Lei da Ficha Limpa, com isso, pode ser eleito já em 2014Perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás. O Senado, porém, pode decidir continuar o processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. Seria algo incomum, mas não inédito
Licenciar-se do mandatoSai do foco político por 120 dias, mantém o foro privilegiado e espera que as denúncias esfriem com a aproximação das eleições municipaisContinua respondendo processo no Conselho de Ética do Senado e, se cassado, pode ficar inelegível até 2027
Responder ao processo no Conselho de Ética do SenadoMantém a imagem de que lutou pelo cargo e, mesmo que condenado no conselho, ainda pode escapar da cassação no plenário do Senado, onde a votação é secretaContinua no foco político e, se condenado, pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
Renunciar e assumir o cargo de procurador de Justiça de GoiásSai do foco político e, mesmo perdendo o foro privilegiado no STF, passaria a responder às denúncias no Tribunal de Justiça de GoiásPode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
  • Fonte: "Folha de S.Paulo" e "Blog do Fernando Rodrigues"

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