PUBLICIDADE
Topo

"Essa é a nossa quadrilha", diz Gilberto Carvalho ao deixar ministério

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

02/01/2015 15h48Atualizada em 02/01/2015 21h24

O ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho (PT), deixou o posto nesta sexta-feira (2) disparando contra a oposição. “E a quem disse que perdeu a eleição para uma quadrilha, quero responder dizendo que essa é a nossa quadrilha... Para eles [oposição], pobre é quadrilha, essa é a quadrilha dos pobres, que foi o tempo todo marginalizada. Com muito orgulho quero dizer que eu pertenço a essa quadrilha”, disse Carvalho durante a cerimônia de transmissão de cargo para o novo ministro, Miguel Rossetto (PT).

A declaração de Carvalho foi uma resposta a uma frase do candidato derrotado nas eleições presidenciais, senador Aécio Neves (PSDB-MG), que disse ter perdido as eleições para uma organização criminosa.

A frase de Carvalho causou uma sonora salva de palmas no Salão Nobre do Palácio do Planalto, que estava lotado para a cerimônia.

"Eu tenho muito orgulho destes doze anos. Nosso governo conseguiu fazer o essencial", disse Carvalho, que também participou do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). "Não temos que ter medo de ninguém nem vergonha de ninguém. Não somos ladrões."

A solenidade de transmissão de cargo teve outros momentos inusitados. Ao encerrar seu discurso, Gilberto Carvalho puxou um coro para cantar o refrão da música "O que é, o que é", de Gonzaguinha. Ao final, da cerimônia, o ex-ministro foi ovacionado pelo público.

Carvalho canta: "viver e não ter a vergonha de ser feliz"

Ao final da cerimônia, Gilberto Carvalho explicou suas declarações. “É uma resposta ao Aécio Neves que disse que perdeu a eleição para uma quadrilha. Eu tinha que dar uma resposta à altura. Nós nunca vamos levar desaforo pra casa. A quadrilha para quem ele perdeu é a quadrilha do povo brasileiro”, disse.

Mais comedido, o novo ministro Miguel Rossetto limitou-se a dizer que sua gestão vai tentar ampliar “diálogos” com a sociedade. “Nós vamos dar sequência a um diálogo permanente, respeitoso e verdadeiro de tal forma que a partir de uma agenda de reformas que a sociedade brasileira quer, nós possamos construir grandes e boas políticas para o povo brasileiro”, disse.

Carvalho começou a ocupar a Secretaria-Geral da Presidência em 2011 e ficou conhecido por suas declarações polêmicas. Internamente, foi criticado por integrantes do PT, que viam algumas de suas frases como “sincericídio”. 

Um dos casos mais recentes ocorreu após as eleições, quando ele disse que a presidente Dilma Rousseff se afastou dos "principais atores na economia e na política" nos últimos quatro anos. No mês passado, Carvalho declarou ainda que morria de medo de o "playboyzinho" vencer as eleições, em referência a Aécio.

Em seu discurso, o ex-ministro criticou ainda o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), chamando-o de "ingrato" por ter recebido moradias do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

Nascido em Londrina, no interior do Paraná, Gilberto Carvalho é conhecido por sua proximidade com o ex-presidente Lula e por seu poder de interlocução junto a setores da Igreja Católica. Ele militou na Pastoral Operária e foi coordenador do Movimento Fé e Política.

Em 2003, assumiu a chefia de gabinete do ex-presidente Lula. Em 2011, foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência pela então presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Carvalho deixa a secretaria para assumir a presidência do Conselho Nacional do Sesi (Serviço Social da Indústria).

Rossetto, por sua vez, foi ministro do Desenvolvimento Agrário por duas vezes (2003 a 2006 e 2014 a 2015). Ele foi um dos fundadores do PT e da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Sua ida para a Secretaria-Geral da Presidência era dada como certa desde as eleições presidenciais, quando ele se transformou num dos coordenadores da campanha de Dilma.

Resposta

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (PSDB-BA), afirmou que "ao ser demitido do governo, o ex-ministro Gilberto Carvalho acaba por se tornar também o primeiro réu confesso da quadrilha do PT".

"A frase do ex-ministro deve ser guardada para posteridade até porque sera muito útil ao MP [Ministério Público] e às autoridades nas investigações que vêm ocorrendo", afirmou.

O líder tucano afirmou que lamenta e o deixa preocupado a expressão "quadrilha".

"Essa palavra 'quadrilha' vai ser muito repetida ao longo do ano  em consequência das investigações em curso no pais."

Política