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Odebrecht e Andrade Gutierrez comandavam esquema, diz procurador

Do UOL, em Brasília

19/06/2015 11h12Atualizada em 19/06/2015 15h04

As empreiteiras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez comandavam o esquema de cartel e fraude a licitações que funcionava junto à Petrobras, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, do Ministério Público Federal, que integra a força-tarefa da operação Lava Lato. Nesta sexta-feira (19), a Polícia Federal deflagrou a 14ª fase da operação e prendeu nove pessoas, entre elas os presidentes das duas empreiteiras. “Não temos dúvida alguma de que Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez capitaneavam o esquema de cartel dentro da Petrobras. É preciso fazer essa distinção para que não se diga que a empresa agora possa passar por inocente diante de tantas provas”, disse o procurador durante entrevista coletiva realizada em Curitiba.

A deflagração da 14ª fase da operação envolveu pelo menos 220 agentes a PF que cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Foram expedidos oito mandados de prisão preventiva e quatro de prisão temporária. Dos doze mandados de prisão, três ainda não foram cumpridos.

Segundo o delegado da PF Igor Romário de Paula, duas pessoas procuradas pela polícia já entraram em contato por meio de seus advogados e deverão se entregar até o final do dia. Todos os presos deverão ser encaminhados a Curitiba ainda nesta sexta-feira em um avião da Polícia Federal.

Pela Odebrecht foram presos o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, e os executivos Marcio Faria, Alexandrino Costa e Rogério Araújo. Pela Andrade Gutierrez foram presos o presidente Otávio Marques de Azevedo e os executivos Paulo Dalmazzo e Antônio Pedro. Também foram presos Flávio Lúcio Magalhães, Cristina Maria da Silva Jorge e João Antônio Bernard Filho.

A operação Lava Jato investiga um esquema de formação de cartel, lavagem de dinheiro e fraude a licitação em contratos de pelo menos 20 empreiteiras junto à Petrobras. Estima-se que o esquema tenha desviado pelo menos R$ 10 bilhões.

De acordo com as investigações da operação, parte do dinheiro desviado de contratos junto à Petrobras era direcionado a políticos e partidos. Em março deste ano, quase um ano depois da deflagração da primeira fase da operação, a PGR (Procurador Geral da República) pediu a abertura de inquérito contra 54 pessoas supostamente envolvidas no esquema, entre eles os presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Para o procurador Carlos Fernando, tanto a Odebrecht quanto a Andrade Gutierrez utilizavam um esquema de lavagem de dinheiro mais sofisticado do que o utilizado por outras empreiteiras que, segundo o MPF (Ministério Público Federal), faziam parte do cartel que operava junto à Petrobras.

Segundo o procurador, enquanto algumas empreiteiras recorriam ao serviço de doleiros como Alberto Yousseff, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez adotavam a prática de fazer depósitos no exterior diretamente.

“As investigações agora sobre essas duas novas empresas, Norberto Odebrecht, e Andrade Gutierrez, revelam um nível de sofisticação maior e chegamos a ter uma visão mais completa dos fatos criminosos (...) Entretanto o esquema de lavagem que nos deparamos agora é de depósitos no exterior”, afirmou.

Outro lado

As duas empreiteiras se manifestaram relação às prisões por meio de nota. 

A Odebrecht classificou as prisões como desnecessárias. "Como é de conhecimento público, a CNO [Construtora Norberto Odebrecht] entende que estes mandados são desnecessários, uma vez que a empresa e seus executivos, desde o início da operação Lava Jato, sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações", disse.

Já a Andrade Gutierrez disse que presta apoio aos seus executivos. "A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível. A Andrade Gutierrez reitera, como vem fazendo desde o início das investigações, que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Operação Lava Jato, e espera poder esclarecer todas os questionamentos da Justiça o quanto antes."

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