Pezão exonera secretário de Direitos Humanos que defendeu "cura gay"

Do UOL, no Rio

  • Divulgação/Governo do Rio de Janeiro

    Ezequiel Teixeira é deputado federal e assumiu a secretaria há pouco mais de dois meses

    Ezequiel Teixeira é deputado federal e assumiu a secretaria há pouco mais de dois meses

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão exonerou, nesta quarta-feira (17), o secretário Ezequiel Teixeira (PMB-RJ) da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. A decisão foi tomada no mesmo dia da publicação de entrevista ao jornal "O Globo" na qual Teixeira, que é deputado federal, diz ser a favor da "cura gay".

De acordo com o Governo do Estado, o cargo será ocupado pelo atual secretário de Governo, Paulo Melo (PMDB-RJ), ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Para o posto de Melo, por sua vez, foi escolhido o atual chefe de Gabinete do governador, Affonso Monnerat. As mudanças serão publicadas no Diário Oficial desta quinta-feira (18).

Ezequiel Teixeira é pastor evangélico e assumiu a secretaria no dia 15 de dezembro do ano passado, substituindo a economista Teresa Cosentino. Desde então, o programa Rio Sem Homofobia, criado em 2007 pelo governo e ligado à secretaria, perdeu 65 dos seus 80 funcionários --mais de 75% da equipe. Os 20 que sobraram, segundo a assessoria do órgão, atendem apenas aos casos de emergência, como ameaças de morte e violência, "para não fechar as portas". O programa era considerado referência nacional no combate à homofobia.

De acordo com a pasta, os funcionários não foram demitidos, mas "liberados de irem ao trabalho, devido ao atraso no pagamento". Na prática, toda a base de assistência do programa foi desmantelada. Sem psicólogos, advogados e assistentes sociais, sobraram apenas os coordenadores.

Críticas de Pezão

Na manhã desta quarta, o governador criticou as declarações do então secretário, afirmando que lamenta a posição de Teixeira. "Eu vou tomar providência. Coloco aqui minha insatisfação com as declarações dele", disse Pezão.

O governador declarou ainda que desconhecia a posição de Teixeira sobre o tema. Questionado se manteria o pastor no cargo, Pezão afirmou que iria "conversar com ele".

O pastor, no entanto, era notório defensor da "cura gay", além de já ter se manifestado contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, votado a favor da redução da maioridade penal e feito campanha eleitoral promovendo o preconceito contra a população LGBT.

Como deputado, Teixeira participou da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias) da Câmara dos Deputados criando uma subcomissão permanente destinada a apurar violações de direitos humanos que têm como vítimas policiais e cidadãos nas comunidades do Brasil. Também apresentou projeto para tornar obrigatório noções sobre a Lei Maria da Penha para estudantes do ensino fundamental e médio. 

O UOL entrou em contato com o ex-secretário que não retornou as mensagens. 

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