Simon revela "medo" com crise e diz que nomeação de Lula é "humilhação"

Flávio Ilha

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Geraldo Magela/Agência Senado

    Pedro Simon disse que Lula ministro é "humilhação"

    Pedro Simon disse que Lula ministro é "humilhação"

O ex-senador pelo PMDB gaúcho Pedro Simon fez duras críticas, nesta quarta-feira (15), em Porto Alegre, à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff. Para Simon, o anúncio representa uma "humilhação".

"É um absurdo. Um brasileiro que está em vias de ser preso por corrupção não pode ser nomeado ministro. Ainda mais depois das manifestações de domingo (13). É um deboche à democracia", criticou.

Simon também atacou o posto que Lula vai assumir dizendo que o governo adotou um modelo parlamentarista "de fato". O ex-senador lembrou que Lula condicionou sua ida para a Casa Civil a uma série de mudanças no ministério, numa indicação de que é ele quem vai governar.

"Tenho pena da presidente [Dilma]. A coitadinha está amarrada, não sabe o que fazer. Ela de fato não renunciou como disse que não faria. Mas definitivamente capitulou", comparou Simon. "Isso [a nomeação] vai pesar na biografia dela", completou.

O ex-senador também se mostrou cético com a capacidade de Lula de salvar o governo porque, segundo ele, falta credibilidade ao ex-presidente. Simon disse que, além da fragilidade do governo no campo econômico, será agregado o desgaste de Lula no campo político.

"Em termos gerais, acredito que Lula poderia, sim, dar ânimo ao governo pela sua capacidade política e de articulação. Mas na atual conjuntura, com toda a nação contra ele, não pode mais", afirmou.

Além disso, ponderou que a delação premiada do senador Delcídio do Amaral tem poder de agravar ainda mais a situação. "A delação por si só não prova nada. Mas os fatos estão se ligando. O cerco [contra os partidos] está se fechando de uma forma tão dramática que eu sinceramente tenho medo", confessou.

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Segundo Simon, a solução para a crise institucional e política vivida pelo país passa pela pactuação de um governo de unidade nacional –a exemplo do que ocorreu na Espanha pós-Franco (1977) com o Pacto de Moncloa¹. Mas Simon disse não acreditar que qualquer partido político brasileiro atual, incluindo PT, PMDB e PSDB, tenha condições morais de liderar esse esforço de coalização.

"A Igreja Católica, que vivia um momento muito negativo no final do papado de Bento 16, encontrou a solução no papa Francisco. Infelizmente, não temos uma liderança como ele para nos salvar", opinou.

Para o ex-senador, o pacto poderia ser liderado por instituições sociais de grande credibilidade no país, como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNBB (Conferência Nacional os Bispos do Brasil).

¹ O Pacto de Moncloa foi firmado em 25 de outubro 1977, na Espanha, depois de 35 anos de ditadura do General Francisco Franco, que morreu em 1975. O Pacto de Moncloa foi assinado por representantes de todos os partidos com participação no Congresso, sindicatos e outros setores que selaram o acordo, para combater a alarmante crise econômica que a Espanha enfrentava e também garantir o processo que instituiu as bases legais do moderno Estado democrático espanhol. Em menos de um ano, houve uma expressiva queda da inflação espanhola.

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