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Planalto confirma Lula como ministro da Casa Civil

Dilma (centro) viajou a São Bernardo para se encontrar com Lula após o petista prestar depoimento à Lava Jato - Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Dilma (centro) viajou a São Bernardo para se encontrar com Lula após o petista prestar depoimento à Lava Jato Imagem: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Do UOL, em Brasília

16/03/2016 13h48Atualizada em 16/03/2016 16h10

O Palácio do Planalto anunciou nesta quarta-feira (16) em nota oficial que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o novo ministro da Casa Civil, no lugar de Jaques Wagner. A confirmação aconteceu depois que líderes do PT na Câmara dos Deputados disseram que Lula teria aceitado o convite da presidente Dilma Rousseff (PT).

O ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner irá assumir a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República. 

O comunicado também anuncia o deputado Mauro Ribeiro Lopes (PMDB-MG) como novo ministro da Secretaria de Aviação Civil. A nomeação de Lopes gerou tensão com o PMDB, principal partido da base que discute internamente retirar o apoio ao governo. Peemedebistas que defendem o afastamento do governo pediram que Lopes seja afastado do partido, após a convenção nacional da legenda determinar que o partido não irá assumir novos cargos no governo até que haja uma definição sobre a aliança.

O presidente do PT, Rui Falcão, anunciou em sua conta no Twitter, que a posse de Lula acontece na próxima terça-feira (22).

O anúncio oficial de Lula como ministro do governo da presidente Dilma põe fim a um impasse que começou há pelo menos duas semanas. No último dia 4, o ex-presidente e agora ministro foi conduzido coercitivamente pela PF (Polícia Federal) durante a 24ª fase da operação Lava Jato.

Aliados propuseram a ida de Lula para um ministério como uma forma de ele conseguir foro privilegiado para que, assim, as investigações que tramitam contra ele na Justiça Federal do Paraná e na Justiça de São Paulo passem a tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal).

Lula viajou a Brasília na última terça-feira (15) para conversar com a presidente Dilma sobre o assunto. Mas havia pedido mais tempo para pensar na proposta.

Havia a expectativa de que o anúncio de sua ida para o governo fosse feita na última terça-feira, mas o governo foi surpreendido com a homologação e a divulgação da delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (ex-PT-MS).

Em sua delação, Delcídio afirma que Lula foi o mandante de pagamentos em dinheiro para a família do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

Para assumir um ministério, segundo o jornal "Folha de S.Paulo", o petista impôs como condição autonomia na articulação política com a base aliada e mudanças na política econômica.

Esta última condição preocupa não só o mercado como interlocutores do ex-presidente no empresariado, pelo receio de demandar medidas como venda de reservas internacionais, queda forçada dos juros e liberação de mais crédito na economia. Mudanças em outros ministérios e até no comando do Banco Central não estão descartadas.

Falta de apoio

A chegada de Lula ao ministério da presidente Dilma se dá três dias depois de manifestações contra o governo Dilma e o PT terem reunido 3 milhões de pessoas em todo o país, de acordo com a PM (Polícia Militar). Entre os principais alvos dos manifestantes, estavam a presidente Dilma e Lula.

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Lula terá como missão principal aplacar a crise política, agravada por indicações de que o PMDB estaria "desembarcando" da base governista. A falta de apoio ocorre em meio à tramitação de um processo de impeachment contra a presidente Dilma. Para impedir o prosseguimento da ação, Dilma precisa do voto de 172 dos 512 deputados. 

O anúncio deve acirrar ainda mais os ânimos dos partidos de oposição. Na última terça-feira, líderes oposicionistas divulgaram uma estratégia para impedir nomeação do ex-presidente. Os líderes afirmaram que irão apresentar uma ação popular em todos os Estados e no Distrito Federal para tentar barrar a entrada de Lula no ministério.

Como a Lava Jato chegou a Lula

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