De Messi a cartolas da Fifa; 'Panama Papers' chega ao esporte

De São Paulo

  • Da esquerda para a direita: Messi, o golfista Nick Faldo, o ex-atacante Zamorano, o técnico Seedorf, o lateral Heinze, Michel Platini, Jerome Valcke e Juan Pedro Damiani

    Da esquerda para a direita: Messi, o golfista Nick Faldo, o ex-atacante Zamorano, o técnico Seedorf, o lateral Heinze, Michel Platini, Jerome Valcke e Juan Pedro Damiani

Do argentino Lionel Messi a Michel Platini, passando pelo golfista Nick Faldo, o ex-jogador de futebol argentino Gabriel Heinze e ou um membro da Comissão de Ética da Fifa, os "Panama Papers", uma gigantesca investigação sobre os paraísos fiscais, envolvendo a muitos nomes do mundo do esporte.

Os documentos revelam também que muitos jogadores de futebol, empresários, dirigentes e até clubes recorrem ou recorreram à empresas em paraísos fiscais, principalmente para efetuar pagamento de direitos de imagem.

Recursos colocados em paraísos fiscais muitas vezes não estão sujeitos a impostos locais, e por isso esses países podem ser uma opção interessante para sediar empresas que trabalham com comércio exterior. Mas nem sempre ter uma off-shore é ilegal. A lei brasileira garante o direito de controlar empresas no exterior desde que seja declarada à Receita Federal e ao Banco Central (em caso de patrimônio superior a US$ 100 mil).

A ICIJ cita "cerca de 20 jogadores de alto nível, aposentados ou em atividade, representantes de alguns dos clubes de futebol mais importantes do mundo, entre eles Barcelona, Manchester United e Real Madrid".

Um dos jogadores que tem o nome citado é o argentino Lionel Messi, cinco vezes eleito melhor jogador do mundo.

O argentino, que esta sendo julgado em Barcelona por fraude fiscal, aparece nos "Panama Papers" como co-proprietário, junto ao seu pai, de uma companhia radicada no Panamá, a Mega Star Enterprises.

Este nome aparece pela primeira vez nos documentos da Mossack Fonseca em 13 de junho de 2013, ou seja, um dia após a promotoria de Barcelona abrir um processo contra o melhor jogador do mundo por fraude fiscal.

Os documentos mostram que em 23 de junho de 2013, Messi e seu pai eram oficialmente proprietários da empresa. Mediante um comunicado, o Barcelona diz acreditar nos argumentos da família, que garantiu nunca ter usado a sociedade que vincularia Messi aos "Panama Papers". Os advogados do jogador já "estudam ações legais" contra os veículos de imprensa que divulgaram a notícia.

Outros jogadores famosos, como o atacante chileno Iván Zamorano ou o argentino Gabriel Heinze, ambos ex-jogadores do Real Madrid, também são citados, em ambos os casos por questões de gestão de direitos de imagem.

Heinze também teria criada em 2005 uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas, na qual recebeu pagamentos da fornecedora esportiva Puma. Oficialmente, a proprietária da empresa era a mãe do jogador.

Os documentos mostram também como o clube espanhol Real Sociedad pagou muitos jogadores estrangeiros entre 2000 e 2008 através de sociedades "offshore" instaladas em paraísos fiscais.

Como o dinheiro se esconde

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Mais do que futebol

Mas o futebol não é o único esporte envolvido nessas práticas financeiras suspeitas.

Aparecem também pelo menos 11 ex-jogadores da NHL, a liga profissional norte-americana de hóquei, que recorreram aos serviços da Mossack Fonseca para criar estruturas "offshore".

O golfista britânico Nick Faldo, vencedor de seis torneios de Grand Slam, foi citado como proprietário de uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas.

Fifa e cartolas

Sacudida há meses por um imenso escândalo de corrupção, a Fifa está muito presente nos milhões de documentos divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

São citados dois ex-vice-presidentes da entidade, o francês Michel Platini e o uruguaio Eugenio Figueredo.

Platini, suspenso por seis anos de toda atividade relacionada ao futebol acusado de receber um pagamento indevido de 1,8 milhão de euros do ex-presidente da Fifa Joseph Blatter, teria recorrido aos serviços da firma jurídica Mossack Fonseca, com sede no Panamá e escritórios em mais de 35 países, em 2007, ano em que foi eleito presidente da Uefa.

Figueredo, indiciado em dezembro por fraude e lavagem de dinheiro pela investigação do escândalo na Fifa, aparece na lista por sua conexão com seis empresas "offshore" para as quais teria trabalhado o advogado uruguaio Juan Pedro Damiani, presidente do clube de futebol Peñarol e ex-membro da Comissão de Ética da Fifa.

Os documentos divulgados apontam também para quatro dos 16 dirigentes da Fifa indiciados nos Estados Unidos, assim como quatro empresários ligados ao caso, que utilizaram companhias "offshore" criadas pela Mossack Fonseca.

Por último, Jerome Valcke, ex-secretário-geral da Fifa, demitido há três meses, também aparece nos "Panama Papers". O francês aparece como proprietário de uma empresa radicada às Ilhas Virgens britânicas, que aparentemente serviram para comprar um iate registrado sob a bandeira da Ilhas Cayman. (Da AFP)

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