PM usa bombas em ato em Brasília; RJ e SP têm conflitos entre manifestantes

Do UOL, em São Paulo

Grupos favoráveis e contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff se organizam em cidades do Brasil e do mundo nesta quarta-feira (11), dia em que o Senado Federal vota a continuação ou não do mandato da petista, ato que pode afastá-la do cargo por até 180 dias e colocar o vice Michel Temer interinamente no poder.

Em Brasília, na Esplanada dos Ministérios, a Polícia Militar utilizou bombas de gás e spray de pimenta contra manifestantes pró-Dilma. Já no Rio de Janeiro, na capital fluminense, houve conflitos entre manifestantes em dois momentos diferentes.

Três pessoas foram detidas na capital do Estado de São Paulo: à tarde, o primeiro homem foi levado pela PM, que alegou violência e desacato à autoridade, após briga com grupo que defende o processo de impeachment. À noite, outros dois foram detidos depois de intervenção da tropa de choque. 

Rio de Janeiro

Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Homem fantasiado de Batman começa confusão no Rio

No Rio de Janeiro, militantes da Frente Brasil Popular, de apoio a Dilma, e membros do movimento Direitas Já entraram em confronto na Cinelândia, no centro da capital fluminense. A briga, que ocorreu durante a tarde, contou com empurrões, chutes e cusparadas de ambos os lados – as duas partes reclamavam o direito de protesto no local, afirmando que tinham autorização judicial para tanto.

O confronto teve início quando um manifestante fantasiado de Batman, favorável ao impeachment, decidiu provocar os que defendem a legalidade do mandato da presidente, passando no meio deles. Após o conflito, o Direitas Já se dirigiu à Praça da Candelária, também no centro do Rio, mas um pouco distante dos adversários políticos.

Mais tarde, já à noite, mais uma vez na Cinelândia, uma mulher, identificada como Flávia Tavares, que defende o afastamento da petista, repetiu a atitude do Batman e desfilou no meio do grupo adversário. Tornou a acontecer um breve conflito, logo apaziguado pela Polícia Militar. Ninguém foi preso. 

Distrito Federal

Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Homem é atendido em maca após PM do DF utilizar força em protesto

Em Brasília, os atos começaram a ser organizados apenas no período da tarde. Às 17h, o grupo de mulheres que está na cidade para a Conferência Nacional de Política para Mulheres deu início a uma caminhada até o Senado Federal, onde realizam protesto contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff. No percurso, com instrumentos de percussão, gritaram palavras ordem como "não vai ter golpe".

Os manifestantes acampados próximos ao Ginásio Nilson Nelson, organizados pela Frente Brasil Popular, também já se movimentam para seguirem ao mesmo local, bem como índios das etnias Xuburu, Funiô, Tabeba e Tremembe.

Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Polícia dispara gás de pimenta contra manifestantes no Distrito Federal

Já na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério da Justiça, a Polícia Militar do Distrito Federal, comandada pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB), usou bombas de gás e spray de pimenta contra os manifestantes pró-Dilma. Foram pelo menos dois confrontos em momentos distintos entre as partes. 

 

Segundo relatos do local, dezenas de pessoas passaram mal. Dois manifestantes tiveram de ser atendidos em ambulâncias no local. Uma das pessoas atendidas foi encaminhada ao HBB (Hospital de Base de Brasília). A outra, segundo os bombeiros, se recuperou e voltou para a manifestação.

Ao discursar no plenário do Senado, Roberto Requião (PMDB-PR) criticou a atuação agressiva da PM-DF. "Recebi pelo celular um apelo de mulheres que participaram de um encontro em Brasília reclamando de agressividade despropositada da polícia militar na Esplanada dos Ministérios. Não é isso que queremos e não é isso que esperamos nesse momento delicado", disse. 

Também às 17h, defensores do impeachment, reunidos no Parque da Cidade, começaram a andar até a Esplanada dos Ministérios. Assim como quando ocorreu a votação na Câmara dos Deputados, em 17 de abril, os manifestantes serão divididos por um muro e um espaço livre de 80 metros ao longo da Esplanada.

São Paulo

Bruna Costa/Raw Image/Estadão Conteúdo
Após briga, homem é detido em São Paulo

A avenida Paulista, em São Paulo, registra ato contra Dilma em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Os manifestantes acompanham o pleito no Senado por um telão instalado no local.

No local, um homem saiu em defesa de Dilma Rousseff, entrou em conflito com o grupo oposicionista e foi detido pela Polícia Militar por violência e desacato à autoridade. 

Também na avenida Paulista, próximo ao MASP (Museu de Artes de São Paulo), um grupo de manifestantes contra o impeachment começou a se organizar por volta das 18h. Neste horário, o local chegou a ter as vias nos dois sentidos (Paraíso e Consolação) bloqueados.

A PM, que faz um cerco para evitar novos conflitos, conseguiu liberar o sentido Consolação às 18h30.

À noite, segundo informações do jornal Folha de S. Paulo, a tropa de choque da PM usou spray de pimenta contra manifestantes contrários ao impeachment. Dois deles foram detidos, e o público que acompanhou a ação da polícia a considerou exagerada. De acordo com relato de testemunhas, um dos homens cantava música provocativa contra a PM. O outro tentou impedir a detenção do rapaz e também foi levado.

Nas manifestações esvaziadas da avenida Paulista, os destaques foram novamente os bonecos infláveis levados pelos grupos de oposição, que ficaram conhecidos como "pixulecos". O com a figura de Dilma Rousseff foi rasgado por defensores do mandato da presidente, como se vê na foto abaixo.

Roberto Sungi/Futura Press/Estadão Conteúdo
"Pixuleco" de Dilma é rasgado na avenida Paulista

Cerca de 30 estudantes fizeram um ato na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Eles colocaram fogo em três pneus, em barricada de apoio a Dilma. O grupo, que puxava gritos como "fica, querida", foi confrontado por manifestantes oposicionistas, mas, vigiados pela PM, não entraram em confusões. O protesto começou às 18h e por volta das 20h atingiu seu clímax, com a queima de pneus.  

Em São Bernardo, na grande São Paulo, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC reuniu manifestantes na frente da sua sede, em ato que chama de "contra o golpe, em defesa da democracia e do mandato da presidenta Dilma Rousseff". A mobilização começou às 6h30, e na sequência o grupo partiu em caminhada até o Km 21 da Rodovia Anchieta, pista norte (sentido São Paulo).

Rio Grande do Norte e Amazonas

Em Natal, cerca de 20 integrantes da Força Democrática do RN acompanham a sessão de votação do impeachment em um bar na zona sul da capital do Rio Grande do Norte. O ato é embalado por frevo e colorido por camisetas estampadas com as frases "somos todos Moro" e "tchau, querida". O protesto foi batizado de "Carna-Coxinha".

Manifestantes contra o impeachment, em Manaus, reclamaram da interrupção da transmissão da sessão de votação no Senado, em telão montado na Praça do Congresso, no centro da cidade. O aparelho foi desligado, segundo os participantes do ato, por um grupo de pessoas que passava pelo local. O fato ocorreu no momento do discurso da senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-AM).

Com a interrupção da transmissão, os cerca de 100 militantes do partido comunista contataram a senadora por telefone, que repudiou o suposto boicote. "Isso é desespero dos golpistas", afirmou, por telefone. 

Paraná e Minas Gerais

As capitais dos dois estados receberam pequenas manifestações pró-impeachment nesta quarta-feira (11), de grupos reunidos para acompanharem a votação. Em Belo Horizonte (MG), o protesto aconteceu na Praça do Savassi. Em Curitiba (PR), o ato, com pouco mais de 10 pessoas, ocorreu em frente ao prédio da Justiça Federal.

Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Ato em Curitiba reúne pequeno grupo pró-impeachment

Fora do país

Um grupo de brasileiros residentes na Argentina ocupou, na manhã desta quarta-feira, o Consulado do Brasil em Buenos Aires, a capital do país vizinho, em ato contra o processo de impeachment.  Os manifestantes levaram faixas e fizeram uma performance artística dentro do prédio, cobrando que as autoridades "não reconheçam governos que não tenham sido eleitos pelo voto popular".

No fim da tarde, a Frente Argentina para a Democracia no Brasil, composta por partidos políticos e organizações sociais de esquerda, marchou Obelisco, monumento no centro de Buenos Aires, até a porta da Embaixada brasileira. A caminhada, com escolta policial, interrompeu o trânsito na avenida Nove de Julho, uma das principais da cidade.

No ato, os participantes criticaram o presidente Maurício Macri e o Congresso argentino por, no entendimento deles, terem sido omissos ao não denunciarem irregularidades no processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Em Dublin, na Irlanda, também houve ato a favor de Dilma Rousseff. Brasileiros se reuniram em frente a embaixada brasileira, com cartazes com frases como "parem o golpe no Brasil" e críticas à Rede Globo, a qual é chamada de golpista.  

(Com Estadão Conteúdo)

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