Topo

Ministério exclusivo para Cultura não garantiria recursos para área, diz ministro

Mendonça Filho justifica ausência de mulheres: "não é uma linha de força"

UOL Notícias

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

2016-05-18T17:40:59

2016-05-18T18:29:47

18/05/2016 17h40Atualizada em 18/05/2016 18h29

O ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, justificou o fim do Ministério da Cultura alegando que a existência de um ministério exclusivo para a área não seria garantia de recursos para a área. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18) durante uma entrevista coletiva realizada no Palácio do Planalto para apresentar o novo secretário nacional de Cultura, Marcelo Calero. “O fato é que um ministério que cuida exclusivamente da Cultura não garante fundamentalmente e naturalmente recursos que possam ser aplicados na área da cultura. Eu creio sinceramente que com essa nova sinergia e integração nós potenciaremos (sic) a condição de ampliação dos recursos aplicados nas nas atividades culturais do nosso país."

"Não é o nome 'ministério' que pode produzir a diferença”, acrescentou.

A extinção do Minc e sua subordinação ao Ministério da Educação têm sido alvo de críticas de diversas entidades, artistas e até mesmo de políticos aliados ao presidente interino Michel Temer, como o ex-presidente José Sarney (PMDB), criador da pasta.

Mendonça Filho afirmou que a fusão das duas pastas dará mais “poder de fogo” durante negociações por mais recursos na definição do orçamento de 2017. “Toda a discussão orçamentária que será dada no Ministério do Planejamento e da Fazenda terá que ser considerada num bloco maior envolvendo. Para mim, isso fará com que se estabeleça vantagem no processo de negociação [...] Vamos juntar para ampliar, não para diminuir”, afirmou.

Diplomata por formação, Calero foi secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Ele informou na última terça-feira (17) ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) que deixaria o cargo. Segundo Mendonça Filho, Calero já se encontrou com Michel Temer para discutir as ações da pasta.

Calero afirmou que pretende estabelecer canais de diálogo com a classe artística e que pretende “restaurar a dignidade” do setor. “Já tivemos o compromisso do ministro (Mendonça Filho) e do presidente (Michel Temer) no sentido de quitarmos os débitos mais urgentes [...] vamos restaurar a dignidade dos fazedores cultura desse país que nos últimos meses foram desrespeitados”, disse Calero.

A escolha do nome de Calero encerrou uma busca realizada pelo governo há quase uma semana. Antes de ele ser convidado, o governo Temer havia tentado cinco mulheres para ocupar a pasta, também numa tentativa de diminuir as críticas sobre a ausência de mulheres ocupando cargos no primeiro escalão do governo.

Orquestra faz paródia de música clássica em protesto contra fim do Minc

UOL Notícias

Entre as mulheres que foram convidadas para o cargo e que recusaram a oferta estão as cantoras Daniela Mercury, a jornalista Marília Gabriela, a antropóloga Cláudia Leitão, a atriz Bruna Lombardi e a consultora de projetos culturais da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Eliane Costa. Eliane, aliás, justificou sua recusa afirmando que “não trabalha para governo golpista”.

Questionado sobre críticas feitas por alguns políticos e produtores culturais em relação à Lei Rouanet, Calero disse que o tema será discutido “no momento oportuno”, mas afirmou que a lei não poderia ser alvo de uma “satanização”. 

Estamos fazendo avaliações sobre vários assuntos, agora, o que não pode acontecer é essa satanização de um instrumento que tem se revelado o principal financiador da cultura. Acho que as críticas são bem-vindas, há distorções a serem corrigidas, mas não podemos demonizar a Lei Rouanet”, afirmou.

Durante as eleições de 2014 e ao longo de toda a crise política, diversos setores a favor do impeachment da presidente Dilma criticavam artistas que se posicionavam  contra o afastamento da petista, alegando que eles só o faziam por receber recursos oriundos do governo.

Mais Política