Em nova fase da Lava Jato, PF mira banco panamenho e parente de delegado

Do UOL, em São Paulo e no Rio

  • Gabriel de Paiva/Agência O Globo

A Polícia Federal realiza na manhã desta quinta-feira (7) a Operação Caça-Fantasmas, que consiste na 32ª fase da Lava Jato, para cumprir mandados em São Paulo, Santos (litoral paulista) e São Bernardo do Campo (região metropolitana). O principal alvo é Edson Paulo Fanton, que seria o responsável pelo FPB Bank, uma instituição bancária supostamente clandestina que atua no Brasil.

Contra Edson foram cumpridos mandados de condução coercitiva e de busca e apreensão. Ele foi levado para a sede da Polícia Federal em Santos a fim de prestar depoimento. Como não há ordem de prisão, o depoente será liberado em seguida. A reportagem do UOL ainda não conseguiu contato com a defesa de Edson.

A PF cumpre, no total, 18 ordens judiciais, sendo sete de condução coercitiva e 11 de busca e apreensão. Cerca de 60 policiais federais participam da ação. São apuradas as práticas de crimes de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa transnacional.

Edson é parente em primeiro grau do delegado da PF Mário Renato Castanheira Fanton, que acusou a cúpula de delegados da Lava Jato de irregularidades e coação, como instalação de grampo ilegal na cela do doleiro Alberto Youssef. Mário Renato, juntamente com um agente da Polícia Federal, ambos apontados como "dissidentes", foram denunciados por se associarem para ofender a honra dos colegas.

A FPB Bank é uma instituição financeira panamenha que agiria no país sem autorização do Banco Central para abrir e movimentar contas. De acordo com a PF, isso possibilitaria o envio de valores de origem duvidosa para o exterior, "à margem do sistema financeiro nacional". O banco comercializava empresas offshore por meio da Mossack Fonseca, empresa envolvida nos "Panama Papers" e que já foi alvo da 22ª fase da Lava Jato, a Triplo X.

O nome da ação desta quinta foi escolhido por conta de um dos "objetivos principais da investigação, que foca na apuração de verdadeira extensão obscura da instituição bancária no Brasil, bem como a vasta clientela que utiliza de seus serviços e do escritório Mossack Fonseca para operações financeiras com características de ilicitude e de forma oculta", diz a PF.

Os serviços disponibilizados pela instituição financeira investigada e pelo escritório Mossack Fonseca foram utilizados, dentre diversos outros clientes do mercado financeiro de dinheiro "sujo", por pessoas e empresas ligadas a investigados na Operação Lava Jato, sendo possível concluir que recursos retirados ilicitamente da Petrobras possam ter transitado pela instituição financeira investigada, afirma a PF.

Triplo X

A Mossack entrou na mira da Lava Jato pois uma offshore criada por ela era detentora de um tríplex no edifício Solaris, no Guarujá (SP), vizinho ao apartamento atribuído ao ex-presidente Lula, que chegou a adquirir uma cota do empreendimento, mas depois desistiu do negócio.

A suspeita da Lava Jato é que a offshore foi usada para ocultar patrimônio oriundo do esquema de corrupção na Petrobras. Diante destas suspeitas, a filial brasileira da firma panamenha, localizada na avenida Paulista, foi alvo de buscas da PF. Não há relação da offshore com o apartamento atribuído a Lula.

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