Processo de impeachment

Após caminhada pacífica, protesto em SP acaba com bombas e vandalismo

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Werther Santana/Estadão Conteúdo

    No fim do ato realizado em São Paulo, manifestantes queimam caixão com foto de Michel Temer (PMDB) no Largo da Batata

    No fim do ato realizado em São Paulo, manifestantes queimam caixão com foto de Michel Temer (PMDB) no Largo da Batata

O protesto contra o governo Michel Temer e por eleições diretas em São Paulo acabou com uma dispersão violenta com bombas e jatos d´água e depredação, após uma caminhada de pacífica de cerca de 4 horas.

Por volta das 21h, após os manifestantes queimarem um caixão com a foto do presidente, as lideranças começaram a pedir para que todos se dispersassem. Nesse momento, policiais militares soltaram bombas de gás lacrimogêneo e jatos d´água, enquanto alguns poucos manifestantes, com os rostos escondidos, jogaram garrafas contra os policiais. A porta de uma agência bancária ficou estilhaçada e algumas lixeiras quebradas.

O fotógrafo Maurício Camargo, da Agência Eleven do Rio de Janeiro, foi ferido por uma bala de borracha na perna esquerda. Manifestantes tentaram socorrê-lo. Uma mulher que estava em um ônibus passou mal com as bombas. Outros manifestantes também foram atingidos.

O repórter da BBC Brasil Felipe Souza disse nas redes sociais que foi agredido com golpes de cassetete por policiais, mesmo depois de se identificar como jornalista.

Com a confusão, pessoas de várias idades começaram a correr para evitar ser atingidos. Pessoas ocuparam bares na região para se proteger. A tropa de choque se dividiu em duas: uma seguiu para a direção da margina Pinheiros e outra para a rua Cardeal Arcoverde.

Segundo a Polícia Militar, nove pessoas foram detidas e encaminhadas para o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). Nas redes sociais, integrantes de movimentos sociais dizem que 27 pessoas foram detidas. Segundo o Twitter da PM, "em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam PM a intervir com uso moderado da força / munição química".

Após a confusão, manifestantes discutiram com o comandante da operação, coronel Henrique Motta. "Eu não tenho lado, eu sou do Estado, eu defendo a lei e a ordem", disse o policial, que argumentou que a ação aconteceu por causa de pessoas mascaradas que estavam no protesto.


São Paulo tem maior ato contra Temer

O atual presidente Michel Temer (PMDB) foi alvo de manifestações neste domingo em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Curitiba. A capital paulista teve o maior ato, que reuniu cerca de 100 mil pessoas, segundo seus organizadores. A PM não divulgou estimativas.

Os atos tiveram um pedido em comum: o pedido por novas eleições, após ser consumado o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em votação feita por senadores na última quarta (31).

O protesto foi pacífico durante todo o trajeto da avenida Paulista até o largo da Batata, na zona oeste. No final, policiais militares soltaram bombas de gás lacrimogêneo e jatos d´água, enquanto as lideranças da manifestação pediam para a multidão dispersar. A porta de uma agência bancária ficou estilhaçada e algumas lixeiras quebradas.

O início da manifestação foi no vão livre do Masp, principal palco de atos na cidade, após a passagem da tocha paraolímpica.

Por volta das 17h, os organizadores estimavam o público em mais de 50 mil pessoas. O número foi ampliado para 100 mil pela organização pouco mais tarde. A Polícia Militar não fez estimativa do público até as 19h.

A via tinha manifestantes por toda a extensão, mas com concentração maior na região do Masp, entre a praça do Ciclista e a avenida Brigadeiro Luís Antônio. Os manifestantes seguiram da Paulista para o largo da Batata, pela avenida Rebouças. No final do protesto, foi queimado um caixão com foto do presidente Michel Temer.

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