Operação Lava Jato

Nova AGU, Grace ignora polêmica em posse e cita ex-ministro Cardozo

Do UOL, em Brasília

O presidente Michel Temer (PMDB) e a nova advogada-geral da União, Grace Maria Mendonça, ignoraram a polêmica criada pela saída do ex-ministro da AGU (Advocacia-Geral da União) Fábio Medina Osório durante a cerimônia que marcou a posse de Grace no cargo, nesta quarta-feira (14), no Palácio do Planalto.

Durante seu discurso de posse, Grace agradeceu até ao advogado de defesa da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), José Eduardo Cardozo, que também chefiou a AGU no primeiro semestre deste ano, mas não mencionou o nome do antecessor que disse que o governo Temer tenta "abafar a Lava Jato". Cardozo foi o responsável pela defesa da ex-presidente Dilma no processo de impeachment.

Grace chega ao comando da AGU após a demissão de Fábio Medina Osório, na semana passada. Medina foi demitido após uma discussão como ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Após ser demitido, Medina deu entrevistas afirmando que sua saída foi resultado de uma ação política e que o governo do presidente Temer estaria tentando "abafar a Lava Jato". "Fui demitido porque contrariei muitos interesses. O governo quer abafar a Lava Jato. Tem muito receio de até onde a Lava Jato pode chegar", disse o ex-ministro à revista "Veja".

Em seus discursos, nem Grace nem Temer mencionaram a polêmica e nem citaram a Operação Lava Jato. Grace aproveitou a ocasião para agradecer aos ex-chefes da AGU, entre eles, José Eduardo Cardozo.

"Gostaria de agradecer também a José Eduardo Cardozo que em sua passagem breve nos confiou temas relevantes como a questão da dívida pública dos Estados", disse Grace. Durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma, Cardozo se notabilizou por defender a tese de que o afastamento de Dilma era um golpe de Estado, ideia refutada por Temer e seus aliados.

Temer elogiou a carreira de Grace Mendonça e disse acreditar que "o que vale não são as pessoas, mas as instituições". "Vejam que ela fez questão e cumprimentar todos os ex-advogados-gerais da União na afirmação mais válida, mais solene e constitucional de que o que vale não são as pessoas, mas as instituições. O que nós temos que preservar, exatamente, são as instituições", disse Temer, ignorando o fato de Grace não ter mencionado Fábio Medina.

Polêmica da Lava Jato

A saída de Medina aconteceu menos de um mês depois de ele ter pedido acesso aos inquéritos que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) relativos à Operação Lava Jato

A intenção era que o órgão instaurasse ações de ressarcimento aos cofres públicos que poderiam atingir políticos ligados ao governo do presidente Michel Temer como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador Valdir Raupp (PMDB-RO).

Medina diz que a medida foi criticada por Eliseu Padilha, razão pela qual os dois teriam discutido. "Fui comunicado (da demissão ) pelo telefone. Temer agradeceu pelos serviços prestados e disse que, em função da conversa com Padilha, ficou inviável [minha permanência]", disse Medina.

Oficialmente, o Palácio do Planalto se limitou a agradecer, por meio de nota, o que classificou como "relevantes serviços prestados pelo competente advogado".

Grace Mendonça é a primeira mulher a ocupar um cargo no primeiro escalão do governo Temer. Em maio, quando assumiu o governo ainda de forma interina, Temer foi criticado por ter dado posse a um ministério inteiramente masculino. Foi a primeira vez desde o governo de Ernesto Geisel (1974-1979) que um governo não tinha ao menos uma mulher entre seus principais integrantes. A ministra chegou a se emocionar durante a cerimônia ao citar os pais e o marido.

Ministra chora em posse, e Temer diz que governo deve ser "emocionante"

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