Operação Lava Jato

O que pensam os jovens estudantes de direito que querem trabalhar com Moro?

Vinícius Boreki

Colaboração para o UOL, em Curitiba

  • Nelson Antoine 3.jul.2015/Frame/Estadão Conteúdo

    O juiz Sergio Moro, responsável pelo julgamento das ações da Lava Jato

    O juiz Sergio Moro, responsável pelo julgamento das ações da Lava Jato

O posto de estagiário da 13ª Vara Federal de Curitiba, com salário de R$ 833 e vale-transporte, está sendo disputado por 286 candidatos, relação candidato por vaga quatro vezes maior do que a média de outras seleções – que varia entre 60 e 80 interessados por posto de trabalho. O motivo? A possibilidade de trabalhar com uma das figuras notórias do país nos últimos anos, o juiz Sergio Fernando Moro.

A primeira prova, com questões sobre direito constitucional, direito penal e processual penal, aconteceu na tarde desta quinta-feira (20). Dos 286 interessados, apenas 8 seguem para a segunda fase, agendada para o dia 3 de novembro, que consiste em uma prova oral. O resultado final da seleção será divulgado em 7 de novembro, e o selecionado será contratado por um ano.

Vinicius Boreki/Colaboração para o UOL
"Não existe juiz tão célere como ele", elogia Jades Oliveira

A relação de candidato por vaga ultrapassa algumas das concorrências mais acirradas do país, como a do vestibular de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), que foi de 76 interessados por vaga em 2015, e mesmo de concursos públicos visados, como o da Petrobras. E ela poderia ser até maior, pois até mesmo interessados já formados em direito enviaram currículo para a vaga, mas não foram pré-aprovados para participar da seleção.

Sergio Moro, uma celebridade

Os candidatos interessados na vaga não negaram que a possibilidade de trabalhar com Sergio Moro foi um dos atrativos para a vaga. "Ele é um juiz firme. Acompanho a carreira dele de outros processos, mesmo antes da atenção da mídia que ele recebe neste momento", afirma Leilane Ribeiro, de 23 anos, que cursa o 5º período de direito na PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Vinicius Boreki/Colaboração para o UOL
Giuliana vê "diferencial" na possibilidade de trabalhar com o juiz

"Não existe nenhum juiz tão atuante ou célere como ele. Se metade dos profissionais do Judiciário atuasse da mesma forma, o funcionamento seria muito melhor", analisa Jades Oliveira, de 24 anos, do 5º período de direito na Uniasselvi. "Foi um diferencial a possibilidade de trabalhar com ele", diz Giuliana Moura Lima, de 20 anos, do 6º período do curso na Universidade Positivo. "É uma referência para o Judiciário brasileiro", confirma Luan de Souza Pires, de 19 anos, que estuda na PUC.

Oliveira, inclusive, viajou cerca de três horas para participar da seleção. Ele mora em Guaramirim, em Santa Catarina, distante cerca de 130 quilômetros da capital paranaense. "Tinha o plano de morar em Curitiba e trabalhar na Justiça Federal desde sempre. Achei que era a oportunidade certa para fazer isso", relata.

Vinicius Boreki/Colaboração para o UOL
"Ele é um juiz firme", diz Leilane Ribeiro, de 23 anos

Rotina de estagiário

Os candidatos afirmam que, por uma vaga de estágio, essa é a maior concorrência já enfrentada, mas sabem que a rotina será dura. "É vida de estagiário, né? Não espero nenhum glamour, mas muito trabalho, e é preciso se preparar para tudo", diz Oliveira. "Em se tratando da minha vontade de ser magistrado, a rotina vai contribuir para me aproximar de forma efetiva da área, além de compreendê-la melhor e adquirir técnicas", pondera Pires.

Alguns acreditam que a experiência – da própria seleção e da rotina de trabalho – podem ajudar no futuro. "Será uma experiência boa, tanto na vida acadêmica como para futuras disputas por vagas. Se eu for aprovada, meu objetivo é aprender muito", destaca Giuliana.

Para concorrer à vaga, o estudante deve ter cursado no mínimo dois anos do curso de direito. O estagiário vai auxiliar Moro a elaborar despachos, sentenças e nas pesquisas de jurisprudência. A jornada de trabalho é de quatro horas diárias.

Polêmicas da Lava Jato

Questionados pela reportagem do UOL sobre as polêmicas envolvendo decisões de Moro, como a condução coercitiva do ex-presidente Lula e, mais recentemente, a prisão do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB), os candidatos disseram não concordar com as críticas feitas ao magistrado. "Argumentos dos dois lados sempre vão ser encontrados. Mas todas as decisões devem ser fundamentadas e todas as peças podem ser analisadas", avalia Pires.

"Muita gente encara como golpe político, mas acredito que a investigação é apartidária e há muito mais por vir. As punições são as consequências de crimes cometidos, que resultam em consequências para todos", afirma Leilane. "Alguns políticos, como Aécio Neves (PSDB-MG) ou mesmo a Gleisi Hoffmann (PT-pR), não foram julgados por ele porque têm foro privilegiado", explica Oliveira.

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