Lula pede que PGR investigue delegado sobre "timing" de prisão

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

  • Dario Oliveira/Estadão Conteúdo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta segunda-feira (13) à PGR (Procuradoria-Geral da República) que investigue se o delegado que coordena a Operação Lava Jato no Paraná, Igor Romário de Paula, cometeu abuso de autoridade ao conceder entrevista ao UOL em janeiro deste ano. Na entrevista, o delegado disse que o "timing" para a uma eventual prisão de Lula poderia surgir "em 30 ou 60 dias". O pedido foi feito pelo advogado de defesa de Lula, Cristiano Zanin Martins, e foi subscrito por outros seis juristas.

No dia 27 de janeiro, em entrevista ao UOL, Igor Romário concedeu uma entrevista durante a qual ele disse que a PF não havia "perdido" o timing para prender Lula. A declaração era uma resposta a uma outra entrevista, concedida por seu colega, Maurício Moscardi, na qual ele havia dito que as investigações haviam perdido o "momento" para a prisão do ex-presidente.

Reinaldo Reginato10.nov.2016 /Fotoarena/Folhapress
Declaração de Igor Romário ao UOL gerou reclamação da defesa de Lula

Por meio de nota, o advogado de Lula afirma que a entrevista de Igor Romário feria a "ética e responsabilidade institucional da Polícia Federal". A nota diz ainda que o "arroubo midiático do delegado ignorou o estado de D. Marisa Letícia (sic)", que estava em coma após um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e que chegou a morreu no dia 3 de fevereiro.

Lula é réu em cinco processos relativos a três operações da PF diferentes. Ele é réu de três ações no âmbito da Operação Lava Jato, uma na Operação Janus e uma na Operação Zelotes.

No último dia 8, líderes do PT moveram duas representações pedindo investigações relacionadas ao caso. Uma delas, endereçada à PGR, pediu que as entrevistas de Igor Romário e Moscardi fossem investigadas pelo órgão. Uma outra representação foi apresentada à Comissão de Ética da Presidência da República e citou o ministro da Justiça licenciado, Alexandre de Moraes, que, segundo os líderes petistas, teria se omitido ao não apurar os supostos abusos de poder praticados pelos delegados.

Moraes era ministro da Justiça em exercício quando a entrevista foi veiculada. Ele se licenciou do cargo na semana passada após ser indicado pelo presidente Michel Temer (PMDB) ao cargo de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) na vaga aberta pela morte do ministro Teori Zavascki.

Questionada sobre as representações movidas pelo PT, ainda na semana passada, a PF informou que não iria se manifestar.

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