Após quase um mês, Jucá atende equipe de Moro e marca depoimento em ação de Lula

Rafael Moro Martins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

  • Alan Marques-28.jan.2009/Folhapress

    Romero Jucá foi aliado dos governos de Lula, mas em 2016 apoiou o impeachment da presidente Dilma

    Romero Jucá foi aliado dos governos de Lula, mas em 2016 apoiou o impeachment da presidente Dilma

Quase um mês após ser procurado pela primeira vez pela 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) marcou, nesta terça-feira (21), data para depor como testemunha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) na ação em que o ex-presidente responde por lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O depoimento está marcado para o próximo dia 7 de março,

Assessores do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos em primeira instância da operação Lava Jato, vinham tentando marcar a audiência com o atual líder do governo no Congresso desde 24 de janeiro. Mais cedo, nesta terça, relataram em certidão anexada ao processo que vinham procurando Jucá, sem sucesso.

O primeiro ofício, assinado em 23 de janeiro pela juíza substituta Gabriela Hardt, que substituiu Moro durante as férias, pede a Jucá que informe sobre "a viabilidade de sua oitiva por este Juízo por meio de videoconferência, em audiência a ser realizada na sede da Justiça Federal do Distrito Federal", em março, em quatro datas diferentes, à escolha do senador.

Outro despacho, anexado ao processo nesta terça-feira (21) à tarde por assessores de Moro, relata que o líder do governo não respondeu às tentativas de agendamento por email.

"Certifico que o Ofício [de convocação] foi encaminhado ao Senador Romero Jucá, via e-mail, em 24/01/2017, 07/02/2017 e novamente em 20/02/2017, sem resposta até esta data. Liguei diversas [vezes] para a assessoria do senador a fim de obter informações acerca da opção de data oitiva, sendo que também não houve resposta/retorno até esta data", informa um auxiliar.

O próprio Moro enviou no fim da tarde de hoje (21) ofício a Jucá. "Reiterando os termos do nosso ofício [de convocação, assinado em janeiro pela juíza substituta Gabriela Hardt], tendo em vista que vossa excelência foi arrolada como testemunha pela Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva, solicito uma vez mais informações sobre a viabilidade de sua oitiva por este Juízo por meio de videoconferência", diz o documento.

Minutos depois, o despacho foi retirado do processo. Em seguida, nova certidão confirmou que Jucá fora encontrado, por telefone, e marcara a data do depoimento pedido pela defesa de Lula.

Jucá foi aliado dos governos federais do PT e teve uma breve passagem pelo ministério da Previdência Social entre 22 de março e 21 de julho de 2005, durante o primeiro mandato de Lula. Deixou o cargo, na época, desgastado por denúncias de corrupção. Em 2016, ele aderiu às manifestações de rua e defendeu o impeachment de Dilma Rousseff, sucessora de Lula.

Investigado

Atualmente, Romero Jucá é investigado no STF por tentativa de obstrução da Justiça. A Corte aceitou a abertura de inquérito sugerida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pela delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que gravou conversas com Jucá, o também senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AC). Nos diálogos, eles tratam de temas como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e o avanço da Lava Jato. Jucá nega qualquer tentativa de obstrução da Justiça.

Ontem (20), o senador criticou no plenário da Casa as mudanças sugeridas na regra do foro privilegiado, que podem colocar políticos com mandato na mira de juízes de primeira instância como Sergio Moro. "Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada", afirmou.

Sarney, Meirelles e Renan também irão depor

Também nesta terça, Moro definiu as datas dos depoimentos de várias testemunhas a serem ouvidas a pedido da defesa de Lula. Estão na lista políticos como o ex-presidente José Sarney, o senador Renan Calheiros e o ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. 

Além deles, serão ouvidos ex-ministros de governos petistas - como Ricardo Berzoini, Aldo Rebelo e Luiz Fernando Furlan -, ex-procuradores-gerais da República durante os mandatos de Lula - Claudio Fonteles e Antonio Fernando de Souza - e o ministro do Tribunal de Contas de União, José Múcio Monteiro Filho.

Nenhum irá a Curitiba; todos serão ouvidos via videoconferência, de Brasília ou São Paulo, entre 2 e 15 de março.

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