Em tom de campanha, Lula diz que Brasil está desgovernado; "estou com vontade de brigar"

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

"Eu queria dizer uma coisa de coração pra vocês: esse país está desgovernado. Esse país não precisa ter uma pessoa ocupando um cargo indevidamente dizendo que não tem popularidade, mas tem voto no Congresso Nacional. Esse país não pode ser governado do ponto de vista legal, 'eu tenho maioria eu aprovo o que eu quero'".

A fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento do PT nesta segunda-feira (24), em Brasília, teve endereço certo, apesar de o destinatário não ter sido citado nominalmente: o atual presidente Michel Temer (PMDB). A crítica foi a deixa para um autoelogio velado.

"Esse país tem que ser governado por alguém que saiba cuidar de 204 milhões de pessoas neste país que precisam ser cuidadas e respeitadas", declarou Lula.

Em tom de campanha, Lula falou para correligionários ao lado de lideranças petistas, no seminário "Estratégias para a economia brasileira: desenvolvimento, soberania, inclusão". Disse estar "com muita vontade de brigar". E logo completou: "para fazer a boa briga". Temer voltou a ser alvo.

"A solução que nós queremos depende de um outro fator, de uma coisa chamada credibilidade. E credibilidade depende de outra coisa: voto popular", declarou Lula. Vice da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o peemedebista assumiu a Presidência após o impeachment da sua companheira de chapa, com quem rompeu.

O ex-presidente também fez "sugestões" aos adversários políticos. "Se eles quiserem resolver o problema desse país, eles vão dizer: 'nós temos que abrir uma eleição direta, temos que antecipar. O povo não vai aguentar até 2018'", disse. "A fome tem pressa. O desempregado tem pressa de arranjar um emprego", acrescentou.

Lula ainda orientou os companheiros de partido sobre a estratégia a ser adotada para as eleições do ano que vem.

"Sempre que nós discutirmos qualquer coisa, precisamos colocar uma pitada de política nesse debate. Nós temos que politizar a sociedade e dizer que para a gente fazer tudo isso ['as mudanças que a gente deseja'] nas eleições de 2018 nós precisamos melhorar a qualidade de deputados e senadores eleitos", ensinou.

O petista defendeu que seja feito "um debate com mais seriedade". "Nós temos que estabelecer meta para cada movimento, para o movimento sindical para o PT, para todo mundo", declarou.

"Porque senão a gente briga, briga, briga e quando chega nas eleições a gente elege três deputados ligados ao movimento sem-terra, a bancada ruralista elege 200. Os empresários elegem 349 e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) elege dois ou três. Nós precisamos construir uma maioria nas eleições de 2018", declarou.

Lula disse achar que, "graças a Deus", o PT está se reencontrando em ser oposição. "Vamos deixar para ser governo quando a gente ganhar [a eleição] outra vez. Nós agora temos que assumir o papel do mais importante partido de oposição, com a moral elevada, porque ninguém fez por esse povo pobre mais do que o PT nesses 13 anos de governo."

"E eles às vezes tentam nos encurralar. Eu queria que os deputados tentassem preparar o argumento para um discurso que eles fazem contra a gente, dizendo que a situação do Brasil que eles estão recebendo foi herança maldita do PT. E tem gente que fica inibido"

"Complexo de vira-lata"

Ao comentar sobre o enfraquecimento da globalização no mundo e aumento do protecionismo entre os países mais desenvolvidos --"até que você elege pessoas como esse [Donald] Trump nos Estados Unidos"--, Lula aproveitou para criticar a política externa do governo Temer.

"Os Estados Unidos são dos americanos, a Alemanha é dos alemães, a França dos franceses, e agora o Brasil não é mais nosso. Eles agora estão arreganhando as portas do Brasil no momento em que todo mundo defendendo o Estado nacional. Ou seja, no fundo, no fundo, é a volta do complexo de vira lata da elite brasileira governando esse país", declarou.

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