Operação Lava Jato

Lula diz estar 'pedindo a Deus' para depor e que PF levantou colchão atrás de dinheiro

Do UOL, em São Paulo

Em ato realizado neste sábado (29), em Rio Grande (RS), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as investigações da Operação Lava Jato contra ele, afirmando que elas não se dão por conta de corrupção, e sim "pelo seu jeito de governar". Citando uma frase do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, Lula afirmou ainda que "a história me absolverá". 

Ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, do ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (PT), da senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), além de deputados petistas, dirigentes da CUT e de sindicatos, Lula afirmou que seu depoimento ao juiz Sergio Moro, marcado para o dia 10 de maio, será "a primeira chance" que terá para "falar sobre o que estão fazendo comigo".

Ele também criticou a atuação da Polícia Federal na ocasião em que foi realizada uma condução coercitiva para que ele depusesse aos investigadores da Lava Jato. "A PF até levantou meu colchão atrás de dinheiro", disse o ex-presidente.

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Apoiadores de Lula acompanham ato com o ex-presidente no largo Engenheiro João Fernandes Moreira, em Rio Grande (RS)
As declarações de Lula, que é réu em cinco ações judiciais --sendo três no âmbito da Lava Jato-- ocorreram durante o Ato em Defesa do Polo Naval do Rio Grande, realizado no largo Engenheiro João Fernandes Moreira, em frente à sede da prefeitura local. 

O ato se deu em protesto à redução de investimento do governo federal ao Polo Naval existente na cidade gaúcha.

Reformas propostas pelo governo Temer

Lula não deixou de comentar as propostas de reforma trabalhista e da Previdência, que atualmente tramitam no Congresso, dizendo não se tratar de reformas, e sim de uma "demolição" do país.

"Os que deram um golpe na Dilma dizendo e iam melhorar o país, só pioram o país. Eles estão destruindo tudo que Getúlio Vargas fez a nível de direitos trabalhistas. Eles querem que os trabalhadores tenham as mesmas condições de trabalho do início do século passado, querem jogar nas costas do povo o rombo da Previdência. Eles não estão fazendo uma reforma, estão demolindo o país", disse.

Dilma, que discursou antes, afirmou que nenhum governo democraticamente eleito poderia fazer tais reformas, pois não teriam respaldo popular. "O golpe não acabou no dia em que eu sofri o impeachment, ele continua em várias medidas", afirmou a ex-presidente, citando a lei da Terceirização, já aprovada pelo governo Temer, e as propostas de reforma trabalhista e da Previdência.

Possível candidatura à Presidência em 2018

O ex-presidente afirmou, também, que "não queria ser candidato [à Presidência da República em 2018]", mas que terá "um imenso prazer em derrotar o candidato da Globo". Lula, antes, pediu que a emissora "descubra logo o candidato dela", afirmando que ela "não presta informações, mas trabalha para destruir o PT e o Lula".

"Na minha idade, a gente não sabe quanto tempo terá pela frente. Estou com 71 anos, mas, se eu tiver mais 20 ano ou mais um minuto pela frente, será só para defender a democracia neste país", disse.

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