Reforma trabalhista

Após impasse sobre local, ato da CUT reúne milhares em SP com críticas a Doria

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Alice Vergueiro/ Folhapress

    Manifestação da CUT na avenida Paulista, em São Paulo; ato foi até a praça da República

    Manifestação da CUT na avenida Paulista, em São Paulo; ato foi até a praça da República

Mesmo com a decisão da Justiça impedindo a manifestação no Vão Livre do Masp, a pedido da gestão João Doria (PSDB), o "Ato Político de Resistência do 1º de Maio", organizado por três centrais sindicais, reuniu milhares trabalhadores, representantes sindicais, partidos e movimentos sociais na avenida Paulista, no bairro da Consolação. Segundo a CUT, 200 mil pessoas participaram do evento. A Polícia Militar afirmou que não iria contabilizar o público total.

A concentração aconteceu na esquina da Paulista com a rua Haddock Lobo, por volta do meio-dia, e seguiu em passeata pela rua da Consolação, às 16h, rumo à praça da República, onde haveria apresentação de artistas.

O ato alusivo ao Dia do Trabalho convocado pela CUT (Central Única de Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e Intersindical estava marcado para o Vão Livre do Masp, mas a Justiça, a pedido da Prefeitura de São Paulo, proibiu o uso do local. Após acordo, ficou decidido que as centrais sindicais poderiam fazer um ato político na via, no local indicado pela prefeitura, mas os shows deveriam acontecer na praça da República, no centro de São Paulo.

Por causa da restrição, o prefeito João Doria foi alvo de críticas durante o ato. O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que um síndico do prédio residencial que ficava de frente para o caminhão de som chegou a descer para reclamar do barulho. "Nos procurou para dizer que tem muita gente idosa, doente e que o som atrapalha a convalescença das pessoas. Eu lhe disse que isso era culpa do Doria", afirmou. 

O UOL tentou conversar com o síndico, mas foi informado pelo porteiro do edifício que ninguém havia descido e que o síndico estava viajando.

Freitas reconhece que o ato teria sido maior não fosse o impasse com a prefeitura. "A greve geral do dia 28 já foi maior do que qualquer 1º de Maio já feito pela CUT. Aqui tivemos problema de organização por causa do Doria, mas ela é uma felicidade. O mundo inteiro conhece o 1º de Maio realizado pela CUT", disse.

Todos os representantes de centrais sindicais, sindicatos, partidos políticos e movimentos sociais, sem exceção, criticaram a decisão de João Doria em relação ao ato. O presidente do PT, Rui Falcão, chamou o prefeito de "autoritário" e "safado" durante sua fala. "Não respeita nem mulher. Suja a cidade que ele não cuida", disse, fazendo alusão à mulher que tentou entregar flores ao prefeito ao criticar o aumento da velocidade nas marginais. 

O ato acontece dois dias depois da greve geral do dia 28. Segundo as centrais, 40 milhões de pessoas participaram da greve em todo o país, classificando-a de a maior greve geral já realizada no país. "Esse ato de 1º de Maio é a continuação do dia 28. A população apoiou a greve, fazemos parte dos 96% da população que não está contente com as reformas de Temer", disse Edson Carneiro, o Índio, presidente da Intersindical. 

Guilherme Boulos, coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e da Frente Povo Sem Medo rebateu a declaração dada pelo ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB), de que a mobilização nacional foi um fracasso. "Isso só mostra o quanto esse governo não está em sintonia com o povo brasileiro", disse.

 

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