Na Rússia, Temer não cita JBS e diz que "fatos desprezíveis" atrapalham economia

Do UOL, em São Paulo

Sem mencionar claramente o agravamento da crise política que vem enfrentando desde a divulgação do conteúdo de gravação feita pelo empresário da JBS, Joesley Batista, o presidente Michel Temer afirmou, em discurso na Rússia, que "fatos absolutamente desprezíveis e desprezáveis" começaram a acontecer no Brasil para tentar impedir a retomada do crescimento que, segundo ele, se dá por causa das reformas propostas pelo governo.

A declaração foi dada durante o Seminário de Captação de Investimentos Russos no Brasil, em Moscou, no primeiro dia da visita oficial de Temer ao país.

"Quero salientar que o mais importante é que pusemos o país nos trilhos da responsabilidade e do crescimento. É claro que há lá uma ou outra observação, outra objeção. O que é interessante é que acontece no exato momento em que a economia começou a decolar, de repente acontecem fatos que visam a tentar impedir. Fatos absolutamente desprezíveis e desprezáveis", disse.

A visita de Temer à Rússia é a primeira etapa de uma viagem internacional que tem como objetivo atrair mais comércio, investimentos e cooperação entre os dois países. O governo quer passar a ideia de que a administração segue alguma normalidade, mesmo tendo sido abalada por fatos ocorridos após a delação de executivos da JBS. A viagem estava prevista desde dezembro e quase foi adiada por causa do agravamento da crise política.

O presidente decidiu manter a viagem mesmo após entrevista do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, à revista "Época" na qual ele acusa Temer de ser chefe de uma organização criminosa envolvendo peemedebistas na Câmara dos Deputados. O Palácio do Planalto divulgou nota no sábado (17) para rebater o empresário e entrou com processo contra Joesley por danos morais e crimes contra a honra.

Desde 1992, quando o então presidente Fernando Collor de Mello sofreu um impeachment, um presidente brasileiro não ficava tanto tempo sem viajar para compromissos no exterior.

Nesta quarta-feira (21), Temer deverá se encontrar o presidente russo, Vladmir Putin, com o premiê e ex-presidente Dmitri Medvedev e com a presidente do Conselho da Federação (Senado), Valentina Matvienko. Temer depositará flores no túmulo do soldado desconhecido e na muralha do Kremlin e será recebido em almoço por Putin. Ele segue para a Noruega na quinta (22) para a segunda etapa da viagem.

Crise política

A delação premiada de Joesley Batista e de outros executivos da JBS detonou a maior crise do governo Temer desde que o presidente assumiu o cargo. Joesley gravou uma conversa com o presidente no Palácio do Jaburu, em março deste ano, e entregou o áudio para a Procuradoria-Geral da República.

Na conversa, o empresário fala sobre suborno a agentes do Judiciário, cita questões no BNDES e relata que "estou bem com o Eduardo", o que a PGR entendeu como sendo uma sinalização de que Joesley continuava pagando mesadas a Cunha, com aval do presidente, para evitar uma delação do ex-deputado (PMDB-RJ).

Temer nega que soubesse de qualquer pagamento a Cunha e Funaro, alega que o áudio foi editado e diz que foi alvo de uma armação de Joesley, que estava em vias de assinar o acordo com a PGR.

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