Cabral é denunciado pela 12ª vez na Lava Jato

Do UOL, no Rio

  • Reprodução de vídeo

    Preso desde novembro, Cabral foi condenado por por Moro a 14 anos de prisão

    Preso desde novembro, Cabral foi condenado por por Moro a 14 anos de prisão

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi denunciado pelo Ministério Público Federal nesta quinta-feira (28) no âmbito da operação Lava Jato por corrupção passiva na área de alimentação e serviços especializados. Está é a 12ª denúncia contra o ex-governador, preso preventivamente desde novembro.

Além de Cabral, foram denunciados o empresário Marco de Luca e Carlos Miranda e Carlos Bezerra, apontados como operadores financeiros de Cabral. Enquanto o ex-governador, Miranda e Bezerra foram denunciados por corrupção passiva, o empresário foi denunciado por corrupção ativa e organização criminosa.

Segundo o MPF, Cabral recebeu R$ 16,7 milhões em propina entre 2007 e 2016 a fim de conceder benefícios em contratos com o governo do Rio de Janeiro ao empresário Marco de Luca.

Foram contabilizados 82 pagamentos mensais no valor aproximado de R$ 200 mil. 

"Para o MPF, a continuidade dos pagamento até a prisão de Cabral, mesmo após ele ter deixado o cargo, demonstra a influência política que o ex-governador ainda exercia sobre a administração", diz trecho do documento enviado ao juiz Marcelo Bretas.

Os procuradores apontam ainda que as empresas Masan Serviços Especializados Ltda e Comercial Milano Brasil, ligadas à de Luca, tiveram um crescimento exponencial nas contratações com o governo do Estado nos últimos 10 anos. A Masan celebrou contratos no valor global de R$ 2,2 bilhões e a Milano no valor total de R$ 409 milhões, diz o MPF.

Os contratos envolvem a área de alimentação e outros serviços especializados com Fundo Estadual de Saúde, Polícia Civil do Estado do RJ, Fundo Especial da Polícia Militar do ERJ, Departamento geral de Ações Socioeducativas, Secretaria do estado de Educação e Administração Central, entre outros.

Réu em outros 11 processos, Cabral foi condenado pelo juiz Sergio Moro em junho a 14 anos de prisão.

A reportagem do UOL procurou a defesa de Cabral e aguarda posicionamento sobre as acusações. Os advogados têm reiterado que o ex-governador se manifestará em juízo.

Nesta quarta-feira (28) os irmãos Renato e Marcelo Chebar, doleiros que confessaram à Justiça serem responsáveis por lavar dinheiro de Sérgio Cabral (PMDB), afirmaram à 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que o ex-governador decidiu ocultar recursos em contas no exterior porque estava "assustado" com as investigações da CPI do Propinoduto, um dos escândalos da gestão de Anthony Garotinho (chefe do Executivo fluminense de 1999 e abril de 2002).

Os interrogados ratificaram os pontos revelados em acordo de delação premiada com o MPF, homologado pela Justiça. Renato e o irmão, Marcelo, afirmaram que movimentavam dinheiro a mando de Cabral e de seus operadores, Carlos Miranda e Wilson Carlos, depositando valores em espécie para compra de dólares (o dinheiro era remetido à conta no exterior) ou atuando como uma espécie de "cofre" do ex-governador. "Eu era o cofre dele", declarou Marcelo, explicando que os delatores haviam alugado uma sala comercial em um prédio em Ipanema, zona sul carioca, com objetivo de guardar dinheiro em espécie.

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