Geddel foi apontado por Joesley como interlocutor junto ao Planalto

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

  • Pedro Ladeira/Folhapress

Preso nesta segunda-feira (3) pela Polícia Federal, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) foi apontado pelo empresário Joesley Batista como o seu interlocutor junto ao presidente Michel Temer (PMDB) na suposta compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o corretor Lúcio Funaro.

O pedido de prisão preventiva, apresentado pela PF e pelo MPF (Ministério Público Federal), acusa Geddel de atuar para atrapalhar investigações em andamento, ao tentar evitar que Cunha e Funaro firmassem acordos de delação premiada.

Em um dos depoimentos que embasaram sua delação, Joesley, que é um dos donos do grupo J&F, disse que o ex-ministro o questionava se os pagamentos ao corretor estavam sendo feitos, usando a expressão "como é que está o passarinho?".

Na conversa com Temer, gravada no último dia 7 de março no Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente, o empresário também citou Geddel, dizendo ter perdido o contato com o baiano "porque ele virou investigado".

Ouça a íntegra da conversa entre Temer e Joesley

"Agora eu não posso", diz Joesley, segundo a perícia realizada pela PF no áudio. "Complicado, é complicado", responde Temer. "Eu não posso encontrar ele", complementa Batista. "Porque pode parecer obstrução de Justiça, viu?", diz o presidente. "Isso, isso, isso, isso", comenta o empresário. "Perigosíssima essa situação", conclui Temer.

Em entrevista à revista "Época" no mês passado, Joesley afirmou que Geddel era o "mensageiro" de Temer, que "toda hora" o procurava para garantir que ele "estava mantendo esse sistema", referência à compra do silêncio de Cunha e Funaro.

"De 15 em 15 dias era uma agonia terrível. Sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se eu estava cuidando dos dois. O presidente estava preocupado. Quem estava incumbido de manter Eduardo e Lúcio calmos era eu", declarou o empresário.

"Depois que o Eduardo foi preso, mantive a interlocução desses assuntos via Geddel. O presidente sabia de tudo. Eu informava o presidente por meio do Geddel. E ele sabia que eu estava pagando o Lúcio e o Eduardo. Quando o Geddel caiu, deixei de ter interlocução com o Planalto por um tempo. Até por precaução", completou Batista, na entrevista.

Em relatório entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal), a PF afirma que Geddel teria cometido o crime de obstrução de Justiça, ao manifestar interesse na continuidade de supostos pagamentos para comprar o silêncio de Funaro.

O documento foi entregue no inquérito que investigou Temer. A PF concluiu que o presidente cometeu o mesmo crime, ao ter incentivado a manutenção de pagamentos com o mesmo objetivo ao ex-deputado Eduardo Cunha.

Os valores estariam sendo pagos pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, que firmou delação premiada e entregou um áudio com gravação da conversa que manteve com Temer no Palácio do Jaburu, fora da agenda oficial.

No diálogo, após Joesley citar Cunha, Temer diz a frase "Tem que manter isso, viu". A transcrição da conversa, feita pela Polícia Federal, não deixa claro se Joesley chegou a citar explicitamente pagamentos ao ex-deputado.

O presidente Temer tem negado essa interpretação do diálogo e diz que não praticou irregularidades. O perito Ricardo Molina, contratado pela defesa de Temer para analisar a gravação de Joesley, afirmou que o áudio não pode ser usado como prova, por conter sinais de que foi editado e muitas interrupções que comprometem o entendimento completo do diálogo.

O UOL entrou em contato com o advogado de Geddel, Gamil Föppel, por telefone, e-mail e por Whats App, mas ainda não obteve resposta.

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