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Defesa de Lula quer acesso a software que organizava propinas da Odebrecht

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Evaristo Sá - 1º.jun.2017/AFP Photo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva Imagem: Evaristo Sá - 1º.jun.2017/AFP Photo

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

07/07/2017 21h56Atualizada em 07/07/2017 22h32

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer acesso ao sistema MyWebDay, usado pelo "departamento de propinas" da Odebrecht para organizar os pagamentos indevidos. O pedido foi feito nesta sexta-feira (7) ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Justiça Federal do Paraná.

A solicitação foi feita dentro do processo em que Lula é acusado de ter recebido, como propina da Odebrecht, um terreno em São Paulo onde ficaria a sede do Instituto Lula e um apartamento em São Bernardo do Campo, na região metropolitana da capital paulista. O valor total da vantagem indevida para o ex-presidente chegaria a R$ 12,5 milhões e seria decorrente de oito contratos da Odebrecht com a Petrobras.

Os advogados do ex-presidente afirmam que Lula sempre agiu dentro da lei e nunca foi proprietário nem do terreno, nem do apartamento.

Segundo a denúncia oferecida pela força-tarefa da Lava Jato, formada por procuradores do MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná), a compra do terreno --que nunca veio a ser usado pelo Instituto Lula-- e as transações destinadas à compra do apartamento estão registradas em planilha do MyWebDay apreendida com executivos da Odebrecht. Os valores teriam sido deduzidos de um total de propinas destinadas ao PT.

Mais cedo, a defesa do ex-presidente já havia pedido a Moro, no mesmo processo, acesso direto à sede da Petrobras, no Rio, "para obter cópia e informações de documentos necessários para as teses defensivas". Os advogados ainda querem 45 dias para a análise do material. A defesa da Petrobras disse ao UOL que só se manifestará no processo.

Como funcionava o software

A descoberta do funcionamento do MyWebDay aconteceu na Operação Acarajé, a 23ª fase da Lava Jato, em fevereiro de 2016. A Polícia Federal encontrou na casa de Maria Lúcia Guimarães Tavares, ex-secretária da Odebrecht e a primeira da empresa a firmar um acordo de delação premiada, um manual de operações do software que gerenciava as propinas.

Maria Lúcia revelou que ela e seus superiores no Setor de Operações Estruturadas --o "departamento de propina" da Odebrecht-- usavam o MyWebDay para fazer a "contabilidade paralela" da companhia. Era no MyWebDay que os responsáveis pelos pagamentos ilícitos usavam codinomes para mascarar os beneficiários das propinas. O servidor que hospedava o software, uma adaptação do programa usado para as contas oficiais da empresa, ficava na Suíça. 

Os pagamentos destinados a Lula, por exemplo, estariam sob o nome "Programa Especial Italiano". O "Italiano" seria o ex-ministro Antonio Palocci, que intermediaria as propinas para o PT e seus membros. 

Segundo o ex-executivo Hilberto Mascarenhas, também delator e chefe do "departamento de propinas", a propina para a compra do terreno para o Instituto Lula saiu justamente desta conta do PT, mas não foi feita com recursos de propina, e sim do "caixa 1" da Odebrecht.

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