Operação Lava Jato

Com petição da defesa, 2º interrogatório de Lula pode acontecer mais tarde

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • 10.mai.2017 - Reprodução

    O ex-presidente Lula foi interrogado pela primeira vez por Moro em 10 de maio

    O ex-presidente Lula foi interrogado pela primeira vez por Moro em 10 de maio

Uma petição apresentada pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao juiz federal Sergio Moro pode fazer com que o interrogatório do petista no segundo processo em que ele é réu na Lava Jato aconteça mais tarde do que o esperado. Os defensores do ex-presidente disseram, no começo da tarde desta sexta-feira (7), que a Petrobras não forneceu todos os documentos que foram solicitados.

Moro ainda precisa se manifestar sobre a petição da defesa de Lula. Caso o juiz aceite os argumentos, ela quer um prazo de 45 dias, contado a partir do recebimento dos documentos, para se preparar para o interrogatório do ex-presidente.

Como o processo em que Lula é acusado de ter participado de um esquema envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras já está nos últimos dias de audiências com testemunhas de defesa, etapa que acontece antes de os réus serem interrogados, o pedido da defesa de Lula pode afetar o dia em que o petista será ouvido.

Moro deve marcar a data do interrogatório na semana que vem já que os depoimentos das testemunhas acontecem até o próximo dia 14.

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Intervalos

No primeiro processo em que Lula tornou-se réu, que envolve um apartamento tríplex no Guarujá --este só aguarda a sentença, que pode ser proferida a qualquer momento desde 21 de junho--, o intervalo entre o depoimento da última testemunha de defesa e o primeiro interrogatório foi de pouco mais de um mês: 36 dias.

Nesta semana, Moro marcou datas de interrogatório em outros dois processos. Esse intervalo foi bem menor: 12 dias em um e 19 dias no outro.

Com base nesses últimos números, é possível estimar que Lula seja interrogado pela segunda vez pelo juiz da primeira instância da Lava Jato em agosto. A data, porém, fica a critério de Moro.

Neste processo, Lula é ligado a um esquema que gerou desvios de R$ 75 milhões. Cerca de R$ 12,4 milhões dessa quantia teriam sido usados para comprar um terreno, que serviria para a construção de uma sede do Instituto Lula. A denúncia diz ainda que o dinheiro também foi utilizado para comprar um apartamento vizinho à cobertura onde mora o ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP). Os defensores de Lula negam os crimes.

O primeiro interrogatório de Lula, em 10 de maio, durou quase cinco horas e foi um dos mais longos registrados entre todos os já feitos nos processos da Lava Jato. Entre discursos políticos, defesas, contradições e embates, uma constante no interrogatório foram as críticas de Lula aos procuradores da Lava Jato.

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Documentos

Em abril, Moro permitiu que os advogados de Lula tivessem acesso à Petrobras para obter documentos que seriam usados para defender o ex-presidente. A empresa, então, optou por juntar os dados solicitados ao processo.

Os defensores do ex-presidente reclamam que faltam informações no material apresentado pela Petrobras e, agora, querem ir até a empresa para "obter cópias e informações de documentos necessários para as teses defensivas". Moro ainda precisa se manifestar a respeito.

Por Lula ser acusado de ter recebido dinheiro por desvios em oito contratos, os advogados de Lula querem, por exemplo, que a empresa apresente "todos os contratos de financiamento de todas as contratações das obras apontadas na denúncia, bem como de todos os seus aditivos".

Também são solicitadas atas das reuniões de diretoria da Petrobras em que foram discutidos os contratos citados pela Lava Jato. Os advogados ainda pedem "esclarecimentos a respeito da relação de pagamentos relativos aos contratos celebrados com o grupo Odebrecht".

Na petição, os defensores do petista dizem que "não tem interesse em expor segredos industriais da Petrobras, mas, sim, na demonstração das inconsistências das hipóteses". "Ou seja, a alegação de segredo por parte da Petrobras não pode inviabilizar que a defesa tenha acesso a documentos que considera relevantes para as teses defensivas".

Ao UOL, o escritório de advocacia da Petrobras disse que só irá se manifestar no processo.

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