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"Me dá provas de lealdade o tempo todo", diz Temer sobre Rodrigo Maia

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

2017-07-07T17:32:12

2017-07-07T18:03:13

07/07/2017 17h32Atualizada em 07/07/2017 18h03

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou nesta sexta-feira (7) que o presidente da Câmara e primeiro na linha sucessória, Rodrigo Maia (DEM-RJ), dá a ele “provas de lealdade”. “Acredito plenamente. Ele só me dá provas de lealdade, o tempo todo”, declarou.

Temer foi questionado por jornalistas sobre o assunto após uma das atividades na agenda da cúpula do G20, que reúne as 20 maiores potências mundiais, em Hamburgo, na Alemanha.

Temer vive momentos de desconforto com sua base aliada, com rumores de que o nome de Rodrigo Maia ganha força para sucedê-lo, com apoio, inclusive, do PSDB.

Ao ouvir a declaração do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) de que o seu governo não duraria mais do que 15 dias, Temer riu e questionou: “Vamos esperar 15 dias, né? Não é verdade?”. Em seguida, tentou minimizar a questão dizendo que foi uma força de expressão. “Às vezes as pessoas se entusiasmam um pouco. Foi simplesmente força de expressão. Nada mais do que isso.”

Cunha Lima havia dito que “dentro de 15 dias o país terá um novo presidente”. Para ele, se Temer continuar à frente do Planalto as reformas não serão aprovadas, enfatizando que Maia já teria dado sinais de que não mexerá na equipe econômica se assumir o governo. “Maia deverá apresentar mais estabilidade.”

O presidente Michel Temer também afirmou que todos os ministros do PSDB estão “muito tranquilos” e, inclusive, telefonaram para dar explicações, reafirmar o seu apoio ao Planalto, pois a fala não condiz com o que pensa a maioria da sigla. Ao todo, são quatro tucanos na Esplanada dos Ministérios: Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades), Luislinda Valois (Direitos Humanos) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).

Segundo Temer, também não há preocupação quanto à lealdade da base aliada. Nos últimos dias, o Planalto viu o apoio ao peemedebista minguar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, onde será analisada a denúncia contra ele por corrupção passiva apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Ao final da entrevista, o presidente também foi questionado sobre a prisão de seu ex-ministro Geddel Vieira Lima pela Polícia Federal, ocorrida na segunda-feira (3) na Bahia. Ele é investigado na Operação Cui Bono?, que aponta que Geddel e o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atuaram na liberação de ao menos R$ 1,2 bilhão em empréstimos para empresas, em troca de propina. Temer, porém, limitou-se a dizer “[É preciso] deixá-lo explicar, né?”

Andando em direção à saída do local, Temer ainda falou ter “zero” preocupação com uma possível delação premiada de Cunha ao MPF (Ministério Público Federal). Um eventual acordo de colaboração de Cunha foi especulado ao longo da semana, mas ainda não foi concretizado.

PSDB defende nome de Maia, que diz ter "lealdade"

O presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati (CE), afirmou que o país caminha para a “ingovernabilidade” na gestão do presidente Michel Temer. Jereissati conversou com Maia, avaliando que ele poderia garantir governabilidade no país até a eleição de 2018.

Maia, por sua vez, disse que caso venha a assumir o Planalto manteria a equipe econômica e retomaria a reforma da Previdência. Considerado aliado fiel de Temer no primeiro ano de seu governo, Maia passou a frequentar menos os palácios do Planalto e do Jaburu e evitou presidir a Mesa da Câmara durante discussões polêmicas, para não entrar em embate com partidos de oposição que o apoiam. 

Hoje, o presidente da Câmara afirmou, no Twitter, ser preciso “muita tranquilidade e prudência neste momento” para enfrentar a crise no país.

Mais tarde, em entrevista em Buenos Aires, ao participar do encerramento do Fórum de Relações Internacionais e Diplomacia Parlamentar, o presidente da Câmara também declarou lealdade ao presidente Temer.

Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com o presidente Michel Temer sempre."

Rodrigo Maia, presidente da Câmara

Questionado sobre o movimento, o presidente da Câmara disse ser "pura especulação" da imprensa. "Já começam a tratar que eu estaria usando a súmula 13 do Supremo [que veda nepotismo nos Três Poderes] para que ministro o Moreira Franco [Secretaria-Geral da Presidência] não continuasse. Mas o ministro Moreira Franco não é meu sogro, ele é casado com a minha sogra. Para você ver o nível de irresponsabilidade de alguns na imprensa brasileira também", criticou.

O Planalto detectou um movimento de alas do PSDB e do DEM para tentar viabilizar o nome do presidente da Câmara como uma alternativa. Temer se reuniu com seus ministros para cobrar lealdade e empenho na obtenção de votos para derrubar na Câmara a denúncia que o acusa de corrupção.

O relatório de Sergio Zveiter (PMDB-RJ) na CCJ causa apreensão. Apesar de peemedebista como o presidente, Zveiter já disse ser “independente”. Caso ele seja a favor da concessão de licença para que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue Temer, o presidente ficará mais perto de se tornar réu e ser afastado da Presidência da República por pelo menos 180 dias. Nesse ínterim, Maia assume. (*Com Estadão Conteúdo)

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