Temer agradece decisão "soberana" da Câmara, destaca maioria e promete mais reformas

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

O presidente Michel Temer (PMDB) chamou de "incontestável" e "decisão soberana" a votação desta quarta-feira (02) no plenário da Câmara em que a maioria dos deputados votou contra o prosseguimento da denúncia contra ele proposta pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo crime de corrupção passiva.

Em pronunciamento realizado no Palácio do Planalto menos de cinco minutos após o final da votação, Temer agradeceu os votos que recebeu no plenário da Casa.

"Quero agradecer a Câmara dos Deputados por sua decisão e todos os brasileiros de boa vontade que acreditaram no nosso país. Vamos trabalhar juntos pelo Brasil", afirmou, observado por diversos aliados, entre eles deputados que participaram da votação,.

Ele destacou o fato de a vitória no Legislativo ter sido obtida com a maioria dos 513 deputados e prometer fazer "as demais reformas estruturantes que o país necessita", citando a simplificação do sistema tributário brasileiro.

Um grupo de parlamentares e assessores acompanhou Temer na chegada ao Salão Leste do Palácio do Planalto. Entre eles estava o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que causou polêmica no plenário da Câmara ao levar dois bonecos que simbolizavam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vestido como presidiário e provocar um princípio de tumulto.

Temer afirmou que o resultado não se tratava de uma vitória "pessoal", mas sim uma "conquista do Estado democrático de direito, da força das instituições e da própria constituição".

O presidente destacou que todos devem obedecer à lei a à Constituição e disse que esses princípios, "que nos garantem a normalidade das relações pessoais ou institucionais", "venceram com votos acima da maioria absoluta na Câmara dos Deputados".

"E é diante dessa eloquente decisão que posso dizer que agora seguiremos em frente com as ações necessárias para concluir o trabalho que meu governo começou há pouco mais de um ano. Estamos retirando o Brasil da mais grave crise econômica de nossa história", completou.

Temer voltou a elencar realizações de seu governo, tornou a utilizar a metáfora de "colocar o país nos trilhos do crescimento" e afirmou que estava combatendo uma "herança" de milhões de desempregados.

"Eu penso que todos sabem que não parei um minuto sequer, desde 12 de maio de 2016, quando assumi. E não descansarei até 31 e dezembro de 2018, quando encerrarei meu governo. Mas é durante esse breve período que espero terminar a maior transformação feita no país em vários setores, no Estado e na sociedade", discursou.

O peemedebista disse ainda que o governo deve criar condições para que o emprego "nasça num ambiente econômico propício, sem jamais impedir ou criar obstáculos à iniciativa privada".

"O Brasil está pronto para crescer ainda mais, e o crescimento que começou, virá", acrescentou.

Em um recado sem destinatário declarado, Temer afirmou que "aqueles que tentam dividir os brasileiros, erram". "E isso eu digo sem medo de errar. Todos nós somos filhos da mesma nação. Devemos todos nos dedicar a fazer um Brasil melhor. E eu farei isso a cada minuto, a cada instante, até o fim do meu mandato."

"Quero construir com cada brasileiro um país melhor, pacificado, justo, sem ódio ou rancor. Nosso destino inexorável é ser uma grande nação. É preciso acabar com os muros que nos separam e nos tornam menores", concluiu o presidente.

Deputado Aureo dá voto que garante vitória a Temer

O dia de Temer

Michel Temer assistiu à votação em seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto com os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Sergio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional) e Eliseu Padilha (Casa Civil), além de assessores.                      

Segundo um assessor do presidente, Temer gostou do andamento relativamente rápido da sessão. O pronunciamento dele foi escrito pelo publicitário de longa data do PMDB, Elsinho Mouco. O texto da fala está quase pronto, apurou o UOL. A equipe de comunicação só espera o resultado final da votação em plenário para ajustar o tom do discurso. Se a margem da vitória for larga, o tom será mais amigável e de agradecimento. Se for apertada, o tom será mais duro, crítico e em defesa de sua inocência. 

Segundo um auxiliar de Temer, a possibilidade de derrota na Câmara nunca foi considerada. Em plenário, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB), que voltou ao mandato de deputado para votar, disse que o Planalto tem a expectativa de mais de 270 votos pela rejeição da denúncia. Porém, nos bastidores, nas atuais condições, um placar de pelo menos 257 votos contra a peça, ou seja, metade simples do total de deputados, já é "uma grande vitória".

Ao longo do dia, pela agenda oficial, o presidente se reuniu com 21 deputados federais, seis ministros e dois governadores. Temer chegou no Palácio do Planalto nesta quarta por volta das 9h30, segundo a assessoria da Presidência. Porém, segundo apurou a reportagem, ele também continuou as investidas para angariar votos de deputados que ainda não haviam declarado o seu voto abertamente.

Com a rejeição pela Câmara, essa acusação de corrupção contra o presidente só poderá ser analisada pela Justiça comum quando Temer deixar o cargo. Por ser presidente da República, Temer só é julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) se houver autorização dos deputados.

Para que a Câmara autorizasse o prosseguimento da denúncia para o STF, eram necessários ao menos 342 votos, apoio que a oposição não conseguiu reunir.

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