Sozinho, Vem Pra Rua faz ato contra fundo eleitoral e diz não se preocupar com números

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Amanda Perobelli/Estadão Conteúdo

    Manifestantes protestam em ato do MBL e do Vem Pra Rua na av. Paulista, em São Paulo, em março deste ano

    Manifestantes protestam em ato do MBL e do Vem Pra Rua na av. Paulista, em São Paulo, em março deste ano

O movimento Vem Pra Rua está convocando, sozinho, uma nova manifestação para este domingo (27) contra a proposta de criação de um fundo público para custear as campanhas eleitorais do ano que vem. A renovação política, principalmente dos parlamentares do Congresso Nacional, também está na pauta. O grupo espera reunir manifestantes em 22 cidades brasileiras.

Em São Paulo, o ato está marcado para as 14h com concentração no Masp, na avenida Paulista, região central da cidade. Em Brasília, será às 10h, em frente ao Congresso Nacional, e, no Rio, também às 10h, no posto 5.

Políticos e membros de movimentos sociais ligados à esquerda, por sua vez, marcaram um debate aberto no Largo da Batata, também em São Paulo, porém no sábado.

O MBL (Movimento Brasil Livre), parceiro do Vem Pra Rua em atos anteriores, foi convidado para se juntar ao evento, mas segundo Rogério Chequer, empresário e líder do Vem Pra Rua, não quis participar. "Fizemos o contato, mas eles não quiseram. Estamos sozinhos. Antes de fazer um ato, sempre lançamos e perguntamos para outros movimentos. Cabe a eles quererem se juntar a nós. Tem que ver com eles [MBL] porque eles não quiseram", afirma.

Renan Santos, um dos coordenadores do MBL, diz que fazer com frequência "atos de domingo" não é a estratégia do movimento agora. "Não concordo em fazer atos de domingo rotineiramente, porque acaba desmobilizando. Mesmo assim, eu apoio que eles façam. Não é o que estamos fazendo, não é a nossa estratégia, mas apoiamos", afirma Santos.

A declaração foi dada após reportagem da "Folha de S. Paulo" mostrar a proximidade do MBL com a jovem bancada do PSDB no Congresso, conhecida como "cabeças pretas". "Nós temos aproximação com os deputados jovens, "cabeça preta", do PSDB porque eles têm uma agenda parlamentar parecida com o que o MBL defende. Estamos conseguindo fazer um trabalho articulado com eles. Isso não pode ser interpretado com maldade. É uma relação boa de quem defende coisas bacanas", disse Santos ao UOL.

Fabio Braga/Folhapress
Rogério Chequer: "Fizemos o contato, mas eles [o MBL] não quiseram"

Vem Pra Rua e MBL (Movimento Brasil Livre) ganharam visibilidade durante as manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Em uma delas, em 13 de março de 2016, chegaram a mobilizar cerca de 500 mil pessoas na avenida Paulista, mobilizando o maior ato político já registrado na cidade, superando inclusive a principal manifestação pelas Diretas Já, em 1984.

A última vez que os dois estiveram juntos na organização de atos foi em março deste ano, quando, apesar da baixa adesão, manifestantes de várias cidades do Brasil protestaram contra a impunidade da classe política e a favor da Operação Lava Jato.

Sobre a expectativa de manifestantes para este domingo, Chequer disse que o número de manifestantes não é uma preocupação porque o ato tem uma "causa específica". "Este é um ato diferente, estamos fazendo com causa específica. E ele vai andar, não vai ficar parado [como das outras vezes]", afirma. A proposta inicial era sair do Masp e ir até a praça Oswaldo Cruz, no bairro do Paraíso, mas o trajeto ainda não está confirmado.

Santos, do MBL, salientou, no entanto, que não há rusgas entre os dois movimentos, mas "visões de mundo diferentes". "Mesmo na época do impeachment, nós éramos a favor da saída e o Vem Pra Rua era contra. Nós empurramos o impeachment ladeira a cima. Seguimos linhas diferentes, temos visões de mundo diferentes, prioridades diferentes. Mas há vários momentos em que a agenda é similar e aí cada um se apoia e atua à sua maneira", afirma.

As denúncias contra Temer mostraram essas diferenças. Enquanto o Vem Pra Rua se declarava a favor da saída de Temer, o MBL foi a favor do arquivamento da denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República).

Ambos são contra o fundo eleitoral

Tanto o MBL como o Vem Pra Rua são contra a criação do chamado "Fundo Especial para o Financiamento da Democracia", cuja proposta inicial destinaria cerca de R$ 3,6 bilhões das receitas líquidas da União para as campanhas eleitorais do ano que vem. Inicialmente, o fundo corresponderia a 0,5% da receita líquida anual da União, o que, em 2018, resultaria em, aproximadamente, R$ 3,6 bilhões. Essa porcentagem, porém, já foi vetada pelos deputados. A proposta agora é que o valor do fundo seja decidido anualmente na Lei Orçamentária, pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso.

"Não há como apoiar esse fundo. Estamos acompanhando o termômetro em Brasília, e acreditamos que isso não terá sequência. Mas estamos em alerta, acompanhando, e se houver avanços vamos para cima. Mas já estamos percebendo recuos da parte deles", disse Santos.

Segundo Santos, o foco do MBL agora é justamente fazer pressão em Brasília. "Estamos acompanhando a agenda de segurança pública, como a diminuição da progressão penal, o projeto de lei contra os supersalários, e claro a reforma política. O MBL acha que manifestações de rua são necessárias para momentos de comoção pública."

Com uma estratégia diferente, Chequer contou que o ato também servirá para dar mais visibilidade ao mapa criado pelo movimento para mostrar a posição de cada parlamentar em relação ao fundo eleitoral. "Vamos levar casos de parlamentares que têm fugido do posicionamento, se colocando em posições contrárias a da sociedade", disse. "Temos que impedir que aprovem esses escândalos que estão querendo, que vão diminuir ainda mais a representatividade [da sociedade]", afirma.

Segundo ele, o Vem Pra Rua é a favor da volta do financiamento empresarial e defende, inclusive a diminuição dos valores do fundo partidário –valor já pago aos partidos mensalmente para sua manutenção. "Não tem problemas que pessoas e empresas doem, só não pode doar como fez a JBS. Não pode doar bilhões, nem fazer com que isso seja algo escondido da população. É preciso que existam limites de valores e que seja feito com transparência", afirma Chequer.

O líder do Vem Pra Rua disse ainda que o movimento é contra o distritão -- sistema eleitoral em que são eleitos os parlamentares mais votados, independentemente dos votos dados aos partidos. "Distritão não funciona, tende a baratear a campanha, mas destrói os partidos. Não gostamos do distritão porque ele acaba promovendo o que já é conhecido e acaba impedido novas lideranças de se desenvolverem."

O Vem Pra Rua também prepara para setembro uma lista de políticos que, na opinião do movimento, não deveriam ser reeleitos em 2018, já batizada de "Tchau, queridos".

Esquerda

Integrantes de partidos de esquerda e movimentos sociais anunciaram, por sua vez, a realização de um debate no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, neste sábado, às 16h.

O ato deve ser o primeiro evento da chamada iniciativa Vamos, um movimento que tem como objetivo realizar debates em praças públicas em diversas capitais. A proposta prevê que as discussões também sejam transmitidas pela internet.

Os organizadores dizem que os debates não serão pautados pelo calendário eleitoral, mas devem traçar cenários para a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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