Impasse com PMDB é "um problema que será resolvido", diz Maia

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Foto: ABr

    Rodrigo Maia diz que rito da segunda denúncia contra Temer será igual ao da primeira

    Rodrigo Maia diz que rito da segunda denúncia contra Temer será igual ao da primeira

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta sexta-feira (22) que o impasse com o PMDB "é um problema que será resolvido". Maia disse no entanto que ainda não foi marcada nenhuma reunião com o Michel Temer, de quem sempre foi aliado, para solucionar o tema.

Temer teria se reunido auxiliares e dito que marcaria uma conversa com Maia para resolver o problema e conter a rebelião.

As declarações foram dadas durante sua participação na Convenção Nacional do Solidariedade, em São Paulo. Maia acusou o PMDB e o governo Temer de ter dado uma  "facada nas costas" do DEM ao assediar parlamentares que estavam prestes a fechar filiação ao DEM, como o senador Fernando Bezerra Coelho (ex-PSB-PE).

Entre os políticos que estão sendo cortejados pelos dois partidos está o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), que ofereceu a Rodrigo Maia um jantar ontem, em São Paulo. Doria disputa internamente com o padrinho político Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, a candidatura do PSDB à presidência da República.

O DEM é um dos principais aliados do presidente Michel Temer (PMDB) no Congresso Nacional. O impasse entre os dois partidos acontece no momento em que a segunda denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) contra o presidente será analisada pelos deputados. Maia tem afirmado que a questão passará pelo plenário da Casa até outubro.

Sobre isso, Maia se restringiu a dizer que a denúncia seguirá o mesmo rito da primeira e não quis comentar se as rusgas entre PMDB e DEM tendem a enfraquecer a base de Temer para barrar o avanço da segunda denúncia. "Como presidente da Câmara, eu não posso tratar da denúncia, eu só posso tratar do rito e o rito é igual ao da primeira denúncia", afirmou.

Mais cedo, o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), afirmou que a análise da segunda denúncia contra Temer, "pelo menos por parte dos democratas, será feita com base na lei, nos fatos e nas provas de forma absolutamente criteriosa".

Em evento no Rio, no entanto, presidente da Câmara negou que os problemas entre PMDB e DEM possam influenciar na tramitação da denúncia contra Temer. "Não vamos misturar uma coisa tão grave, que é a denúncia, com um problema que envolve dois partidos e parte do Planalto", disse.

Na quinta, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 10 votos a 1, que a acusação apresentada pela PGR contra o presidente deve ser encaminhada aos parlamentares e entregou à Câmara a acusação. Temer é acusado pelos crimes de organização criminosa e obstrução de justiça. A denúncia tem como bases principais as delações premiadas de executivos da JBS e do corretor de valores Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB.

A apresentação da denúncia foi um dos últimos atos de Rodrigo Janot à frente da PGR.

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